Middle Market e o paradigma da concessão de crédito

Middle Market e o paradigma da concessão de crédito

Marco França*

29 de dezembro de 2020 | 04h00

Marco França. FOTO: DIVULGAÇÃO

O volume de financiamento para o middle market apesar de boas intenções do governo foi insuficiente. As exigências e colaterais adicionais exigidos pelos bancos impediram o acesso adequado de grande parte dos demandantes. Para os agraciados, as operações saíram muito aquém de suas demandas. Os bancos pulverizaram ao máximo as suas operações. A inflação na porta ao lado e o retorno do crédito em prazos mais curtos traz donos de negócios ao “velho normal”, spreads bancários que não conversam com a Selic e drenagem da geração de caixa para o serviço da dívida, que ficará mais cara e curta, em 2021, dificultando os planos e as ambições de crescimento do empresário e consequentemente da economia real.

O Brasil real não conversa com a bolsa. Os gestores mais antenados já estão repensando seu modo de emprestar dinheiro fora do modelo padrão, indo para projetos de high yield de fato, no super demandado middle market brasileiro. A chave será gastar mais tempo para entender o setor, o management e a empresa demandante de crédito. O ciclo de private equity é longo e dependente do humor de mercado na hora do desinvestimento. O empréstimo baseado na tomada educada de risco da economia real é chave do crescimento para os próximos 20 anos. Esta é uma oportunidade singular no Brasil para os agentes financeiros e empresas.

Desta forma, as empresas precisam se preparar e o caminho é longo. Apesar dos empresários conhecerem profundamente o seu negócio e boa disposição ao risco, contam com time júnior para a gestão, baixa governança e controles internos insuficientes. A estratégia digital que chegou para ficar ainda é incipiente para muitos deles. Sem os devidos times de matemáticos e engenheiros para melhorar sua conversão e fluxo de clientes, o digital só arranha a superfície da transformação.

Como todo fim de ano é hora de reflexão, aos credores e tomadores de crédito, sobreviventes de 2020, cabe a reflexão do seu modelo de negócios. Certamente, o ano foi mais do que a discussão de trabalho home office, escola híbrida e politização da covid 19. Continuaremos a ser pressionados a sofisticar a abordagem de gestão dos nossos negócios, exigindo mais competência técnica neste gerenciamento e na tomada de risco. Feliz ano novo!

*Marco França é sócio da Auddas

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