Meus dados, minhas escolhas

Meus dados, minhas escolhas

Marcelo Ramalho*

09 de julho de 2020 | 14h30

Marcelo Ramalho. Foto: Divulgação

Há alguns anos, a portabilidade numérica mudou a forma como as pessoas se relacionavam com as operadoras. A possibilidade ofereceu maior autonomia aos clientes para manterem o número telefônico, porém, buscando serviços onde fossem melhor contemplados.

O Open Banking, que deve começar a ser implementado pelo Banco Central em 30 de novembro, promete oferecer algo muito parecido aos brasileiros. No entanto, envolvendo as informações bancárias de uma forma revolucionária diante do cenário atual.

Pela primeira vez, o consumidor terá posse de informações que, até então, eram de propriedade dos bancos, e, assim, poderá fazer escolhas ainda melhores para suas respectivas finanças.

Mesmo o assunto ainda não fazendo parte das conversas da maioria dos brasileiros, o Open Banking é uma grande conquista e as fintechs têm um papel importante nesse processo. Esse modelo de startup surgiu e se consolidou com o diferencial do uso da tecnologia para redução de custos e burocracia, aumento da transparência e concorrência ao oferecer soluções financeiras, como crédito e financiamento.

Com o avanço do setor, a discussão sobre permitir o acesso e compartilhar dados dos consumidores foi ganhando força e a necessidade de regulamentação pelos órgãos competentes aumentou.

Como CEO de uma fintech de empréstimo pessoal on-line, acredito no Open Banking como uma importante e estratégica ferramenta para instituições financeiras como um todo, sejam fintechs, bancos tradicionais ou financeiras, que poderão desenvolver soluções customizadas para os brasileiros.

Para o consumidor, a implementação anunciada pelo BC é uma grande conquista, já que de posse de seus dados e histórico bancário será possível buscar as melhores opções e condições para suas demandas financeiras. Se a instituição com a qual o consumidor já mantém um relacionamento não oferecer uma boa oferta, ele estará livre para buscar no mercado alguma outra que o atenda.

Assim como esse consumidor aprendeu a fazer isso em busca de melhores condições de operadoras telefônicas, poderá fazer a mesma coisa ao buscar crédito, se relacionando com diferentes plataformas para suas necessidades. Aquela que oferecer as melhores condições terá mais chances de ganhar o cliente, que não será obrigado a se manter fiel a nenhuma plataforma específica. Tudo sem burocracia, mas com transparência, simplificação e, claro, segurança.

A situação é nova e de aprendizado para todos os envolvidos. Talvez não se desenvolva de forma rápida como se espera, mas é inquestionável que o Open Banking representa avanço e amadurecimento no mercado financeiro brasileiro. Com a regulamentação e as regras fazendo parte do dia a dia dos consumidores, estes perceberão muito mais opções, menos burocracia e menor custo.

É certo que temos alguns desafios pela frente, como a questão da segurança dos dados, confidencialidade das transações, integração de sistemas e até o processo de educação do consumidor, que ainda precisará de um tempo para se acostumar com a nova situação e com a liberdade de ir e vir com suas informações para onde desejar.

Quanto à segurança, vejo na Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD uma grande aliada. Do lado das empresas, há um comprometimento com a realização das adequações necessárias para que tudo esteja pronto até janeiro de 2021.

Estou convicto que é inquestionável a importância do Open Banking como ferramenta de incentivo à concorrência no mercado financeiro. Se pensarmos que o país está entrando em uma crise financeira e com perda de renda para uma significativa parcela da população, o acesso a opções mais justas de crédito pode representar o fôlego necessário para manter as contas em dia e seguir em frente.

*Marcelo Ramalho é CEO da Lendico

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