‘Meu pai é burro! Meu pai é burro’, disse filha de Queiroz; mulher perguntou quando ele fecharia ‘o caralho da boca dele’

Conversas obtidas pelo Ministério Público em investigação sobre 'rachadinhas' no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro foram citadas na decisão judicial que decretou a prisão de Fabrício Queiroz

Caio Sartori/RIO, Rayssa Motta, Fausto Macedo e Pepita Ortega/SÃO PAULO

18 de junho de 2020 | 21h46

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, deixa o Instituto Médico Legal de São Paulo após ser preso. Foto: EFE/Sebastião Moreira

Em conversas por mensagem às quais o Ministério Público do Rio teve acesso, a filha e a mulher de Fabrício Queiroz criticam o fato de o pai ainda continuar tentando mandar na política mesmo sendo o principal alvo da investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Nathalia Queiroz, a filha, diz que o pai é burro. Márcia Oliveira Aguiar, a mulher, questiona quando ele vai fechar ‘o caralho da boca dele’.

As conversas estão citadas na decisão judicial que autorizou a prisão de Queiroz na manhã desta quinta-feira, 18, obtida pelo Estadão. Ambas também são investigadas, e Márcia chegou a ser alvo de mandado de prisão, mas está foragida.

Ao encaminhar para Márcia uma reportagem do jornal O Globo que mostrava um áudio de Queiroz falando sobre cargos em Brasília, em outubro do ano passado, Nathália escreveu: “Meu pai não se cansa de ser burro né?”

Márcia respondeu: “Cara, é foda! Não sei cara, quando é que teu pai vai aprender a fechar  o caralho da boca dele? Eu tô cansada!”

As conversas não pararam por aí. Nathália, inconformada com a suposta burrice do pai, voltou a mandar textão para a mulher dele, que não é sua mãe.

“Márcia, eu vou te falar. De coração. Eu não consigo mais ter pena do meu pai, porque ele não aprende. Meu pai é burro! Meu pai é burro! Ele não ouve. Ele não faz as coisas que tem que fazer. Ele continua falando de política. Ele continua se achando o cara da política.” Ela diz ainda que, sempre que o encontra, Queiroz insiste em falar em política em nomeações. “Quando tá tudo quietinho. Tudo quietinho. Aí vem uma bomba. E vem a bomba vindo do meu pai, né? Pra piorar as coisas, pros advogados do 01, todo mundo fica puto, revoltado. Com certeza todo mundo vai comer o cú dele falando”, emendou em possível referência aos advogados de Flávio, o ’01’, como o próprio Bolsonaro costuma se referir ao filho mais velho.

Na mesma conversa, Márcia chega a comprar o marido a um ‘bandido que tá preso dando ordens’, em alusão a criminosos que continuam comandando facções mesmo dentro da cadeia.

Queiroz, por sua vez, reclama de traição ao citar o áudio vazado para a imprensa. Ele afirma que já sabia para quem tinha mandado a mensagem em que cita os ‘mais de 500’ cargos disponíveis em Brasília.

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