‘Meu lugar é na arquibancada’

‘Meu lugar é na arquibancada’

Procurador-geral da República interino, Alcides Martins, narrou, em plena sessão que presidia no Conselho Nacional do Ministério Público, sua atuação em uma 'pelada de casados contra solteiros'

Luiz Vassallo

25 de setembro de 2019 | 09h21

Reprodução/CNMP

“Meu lugar é na arquibancada”, disse o procurador-geral da República interino, Alcides Martins, quando narrou, em plena sessão que presidia no Conselho Nacional do Ministério Público, sua atuação em uma ‘pelada de casados contra solteiros’.

O relato foi feito sob o pretexto de elogiar os conselheiros pela ‘velocidade’ dos trabalhos do colegiado nesta terça, 24, dia em que um processo disciplinar contra o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, esteve mais próximo de ser aberto, em razão de declarações sobre o senador Renan Calheiros (MDB). O placar está 7 a 2, e falta um voto para formar maioria a favor do procedimento. No processo, Alcides pediu vista.

Em meio à sessão, que se encerrou para que os conselheiros cumprissem compromissos em outras cortes – no caso de Alcides, o STJ -, o procurador-geral relatou seu insucesso nos gramados, em meio às risadas de seus pares.

“Desculpem a velocidade. É que vários conselheiros têm compromissos e eu também lá no STJ… Na verdade, na verdade, eu queria dizer uma coisa a nível de agradecimento e compreensão. Eu estou impressionado com a capacidade de todos e de cada um de produzir. E me colocaram na Presidência e eu me lembrei de um fato lá no Rio de janeiro, no subúrbio, onde eu morava. No fim do ano, nós tínhamos um jogo de… tá sendo gravado? Bom, continuando. Não tem problema. Já comecei. É um jogo entre solteiros e casados. E eu, me colocavam ná numa posição. Beque, e eu era ruim pra caramba. Me tiraram. Aí colocaram como avançado. Eu não era avançado, coisa nenhuma. Botaram no gol, e eu não defendia. Lá pelas tantas um dos coordenadores falou: Afinal de contas, Alcides, qual é sua posição? E eu respondi muito rapidamente: na arquibancada. E aqui eu estou me sentindo assim também. Eu deveria me sentar no último banco ouvindo vossas excelências. Estou impressionado com a capacidade de todos e de cada um e de produzir. Então, eu me sinto assim, e peço desculpas por eventuais falhas”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: