‘Mesmo em um cenário calamitoso vemos a inércia do Congresso’

Procurador da República Roberson Pozzobom afirma que mesmo com as descobertas da Lava Jato de que a corrupção era a 'regra de negócio' na Petrobrás, parlamento está 'inerte' em relação a propostas que possam reverter o cenário

Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

24 de maio de 2016 | 11h02

FOTO COLETIVA

“A corrupção é praticamente uma regra nos negócios públicos. Por outro lado, mesmo em um cenário calamitoso como esse vemos um inércia do Congresso Nacional em aprovar medidas legislativas que possam reverte esse quadro.” A afirmação é do procurador da República Roberson Pozzobom, da equipa da força-tarefa da Operação Lava Jato que deflagrou nesta terça-feira, 24, sua 30ª fase – batizada de Operação Vício.

“Vemos um sistema político e jurídico que deveria estar em uma CTI (Centro de Tratamento Intensivo), mas por outro lado quase que não há iniciativas legislativas nesse sentido”, afirmou Pozzobom, durante entrevista coletiva, em Curitiba.

Com dois presos e nove executivos levados coercitivamente a depor, a nova fase da Lava Jato revela como foi alastrada a corrupção na Petrobrás, descoberta inicialmente nas obras de construção de refinarias e petroquímicas, para outros setores da estatal, como o de compras de produtos e equipamentos.

Batizada de Operação Vício, em alusão ao quadro de corrupção disseminada e de necessidade de recuperação, a 30ª fase mirou contratos de duas empresas fornecedoras de tubulações para a estatal que teriam envolvido propina de R$ 40 milhões e recebimentos do ex-ministro José Dirceu – condenado a 23 anos de prisão na semana passada.

“Podemos ver que o Congresso Nacional tem uma escolha de duas vias. Por um lado pode escolher ser uma casa de reabilitação e cura para esse sistema corrupto que vivemos, ou por outro pode ser uma casa que se mantenha leniente e aceita corrupção como regra no negócio público e a cartelização como regras nos certames públicos”, afirmou o procurador. “Espero que a primeira via seja adotada.”

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