Mesada de R$ 400 mil ao PMDB/MG tirou Cerveró da Petrobrás, afirma delator

Mesada de R$ 400 mil ao PMDB/MG tirou Cerveró da Petrobrás, afirma delator

Agosthilde Mônaco de Carvalho, ex-braço-direito de Nestor Cerveró na estatal, relatou à Lava Jato, que executivo lhe contou ter sido pressionado a pagar mensalinho para sigla; como não assumiu o compromisso, foi substituído pelo engenheiro Jorge Zelada

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

16 Novembro 2015 | 13h48

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro de 2015. Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 18h32

O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró perdeu o cargo porque não se comprometeu a repassar um mensalinho de R$ 400 mil à bancada do PMDB de Minas, segundo declarou o engenheiro Agosthilde Mônaco de Carvalho, novo delator da Operação Lava Jato. Em depoimento no dia 11 de novembro, à força-tarefa do Ministério Público Federal, Mônaco relatou que o próprio Cerveró lhe contou ter sido ‘pressionado a contribuir’ com a sigla mensalmente.

“O diretor Nestor (Cerveró) lhe disse que foi afastado da Diretoria Internacional da Petrobrás porque foi pressionado a contribuir com a quantia de R$ 400 mil por mês, para a bancada do PMDB de Minas Gerais”, declarou o delator. “O diretor Nestor por não assumir este compromisso foi afastado, tendo sido posteriormente nomeado para a Diretoria Internacional o engenheiro Jorge Zelada.”

 

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Nestor Cerveró e Jorge Zelada foram presos na Lava Jato, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Ambos ocuparam o mais alto cargo da Diretoria Internacional da Petrobrás. Zelada substitui Cerveró em 2008, na área que era braço do PMDB no esquema de corrupção e propinas instalado na estatal, segundo os investigadores.

 

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O novo delator citou ainda o lobista João Augusto Henriques, suposto operador de propinas do PMDB. “Na verdade, a pessoa a ser indicada era o engenheiro João Augusto (Henriques), mas soube que o mesmo encontrava-se com problemas no Tribunal de Contas.”

João Henriques revelou à força-tarefa que depositou “um milhão e pouco de dólares” em uma conta supostamente indicada por Felipe Diniz, filho do deputado Fernando Diniz (PMDB-MG) – morto em 2009. A conta pertencia ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Preso em setembro na Operação Ninguém Durma, Henriques afirmou que não sabia que o destinatário da suposta propina era o presidente da Câmara.

Segundo o novo delator, Nestor Cerveró não lhe contou quem o teria pressionou e nem quais políticos seriam beneficiados pelos R$ 400 mil mensais.

O PMDB tem reiterado que nunca autorizou ninguém a arrecadar recursos ilícitos para a agremiação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO EDSON RIBEIRA, QUE DEFENDE NESTOR CERVERÓ

As declarações dos delatores devem ser analisadas com reservas. É público e notório que só aqueles que delatam ficam livres. A utilização sistemática de prisões preventivas como método para  obtenção de delações premiadas induz os acusados a preferir a  liberdade imediata do que contestar as acusações. Portanto, não podemos aceitar como verdadeiro tudo que se declara. A liberdade, fim dos acusados, torna-se mais importante do que os
meios para sua obtenção.

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