Mercado imobiliário sustentável: da concepção do projeto ao impacto socioambiental

Mercado imobiliário sustentável: da concepção do projeto ao impacto socioambiental

Luigi Scianni Romano*

02 de março de 2021 | 04h00

Luigi Scianni Romano. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de construções verdes da Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), certificado dado pelo United States Green Building Council. Trata-se de um levantamento que considera espaços que priorizam a economia de energia, água e a redução na emissão de carbono. No momento, o Estados Unidos ocupa o  primeiro lugar no ranking, seguido de China, Canadá e Índia.

Diante deste cenário favorável ao mercado de imóveis sustentáveis, uma questão se firma com força total: O que engloba o quesito “sustentabilidade”? Captação de água da chuva, torneiras com fechamento automático e lâmpadas de LED são itens importantes, mas imóveis que verdadeiramente respeitam a natureza trazem soluções que partem desde a concepção do projeto, passam pela execução – reduzindo impactos ambientais causados pela construção – até a posterior manutenção realizada pelos proprietários.

A meu ver, estamos falando de um conceito que engloba quatro vertentes: a concepção de soluções sustentáveis com os materiais adequados, comprometimento com o impacto socioambiental da construção e rentabilidade do empreendimento. Estes aspectos, somados, concretizam uma proposta de negócio verdadeiramente engajada e alinhada com o propósito da sustentabilidade.

 A concepção e criação de soluções sustentáveis e o compromisso socioambiental 

De acordo com um estudo realizado pela FGV, ainda na concepção do imóvel, o gasto com o material de construção está entre os mais altos do projeto e, em algumas regiões do país, pode representar até 73% de todo o orçamento. Em uma construção sustentável, é preciso optar por materiais que sigam a mesma linha, como a madeira de demolição e outros itens produzidos a partir do reaproveitamento. A utilização desses materiais gera uma economia de 30% a 40% nos custos da obra.

No entanto, a ideia de gerar economia para favorecer a construção de casas populares e reduzir o déficit habitacional em nosso país precisa ir além. Afinal, depois de pronta, os moradores terão gastos fixos, como as contas de água e luz.

Por isso, uma das soluções ecológicas essenciais para esses tipos de projetos são aquelas que aproveitam energia solar para abastecer as residências, como o sistema fotovoltaico, responsável por transformar os raios solares em energia elétrica. Diferentemente de placas fototérmicas comuns, que apenas armazenam o calor da luz solar para aquecer um chuveiro, por exemplo, a energia gerada por esse tipo de equipamento pode ser utilizada em qualquer equipamento doméstico, gerando uma redução na conta, que pode variar entre 50% e 95%.

Mais um item comumente encontrado em construções sustentáveis e que é acessível em habitações populares é o biodigestor de esgoto. Trata-se de um tipo de equipamento que  transforma toda a matéria orgânica do esgoto da residência em um tipo de biogás, mais uma fonte de energia que pode ser utilizada na própria casa substituindo a eletricidade ou o gás natural

Um outro recurso altamente benéfico e sustentável é o sistema biodigestor. Neste, a água do esgoto também é tratada por um filtro biológico e, depois disso, fica pronta para o reuso em descargas e ou para lavar o quintal, gerando economia na conta de água da família.

Uma preocupação que deve estar sempre no topo da lista para quem busca se envolver em empreendimentos sustentáveis é o impacto socioambiental que determinada construção pode causar. Não é nada incomum nos depararmos com uma área verde, intocada, que é impactada negativamente por incorporadoras que começam a erguer projetos que não estão interligados ao bem-estar da comunidade que desenvolve atividades locais.

Toda e qualquer iniciativa verdadeiramente sustentável precisa levar em consideração, desde sua fase inicial, os impactos negativos e positivos que determinada construção pode trazer tanto para as pessoas que habitam a região quanto para a natureza. Os projetos  devem somar e trazer benefícios à comunidade, nunca problemas e decepções.

A rentabilidade dos imóveis sustentáveis

Optar por imóveis sustentáveis é ter uma garantia de melhores rendimentos. De acordo com o Green Building Council (GBC), pois sofrem valorização de até 30% após a entrega. A rentabilidade de imóveis ecológicos é bastante significativa, principalmente, porque trata-se de uma vertente do segmento que está fortemente conectada com um processo global de conscientização voltado para iniciativas sustentáveis em diversas áreas e, entre elas, o setor imobiliário.

Logo, as construções sustentáveis são mais do que uma tendência de mercado, elas são uma realidade que tende a se intensificar e consolidar ainda mais junto ao pensamento de um consumidor cada vez mais engajado e responsável com o impacto que suas iniciativas geram na sociedade.

*Luigi Scianni Romano é sócio-fundador da Alphaz Concept

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