Mercado imobiliário: o que mudou após um ano de pandemia?

Mercado imobiliário: o que mudou após um ano de pandemia?

Roberto Rocha*

28 de abril de 2021 | 04h00

Roberto Rocha. FOTO: DIVULGAÇÃO

Entre 2016 e 2019, o mercado imobiliário apresentou um crescimento ascendente, que sofreu impacto inicial em 2020 com o surgimento da pandemia de Covid-19. Com o distanciamento social, os potenciais clientes colocaram em espera a decisão de compra com receio do que poderia acontecer, afinal, adquirir um bem, como um apartamento, envolve o compromisso de um longo financiamento, na maioria das vezes.

Apesar dessa baixa no desempenho das vendas no início do ano passado, as obras não foram interrompidas e o setor da construção civil continuou erguendo empreendimentos. O declínio do mercado neste período também fez com que as imobiliárias e incorporadoras corrigissem os erros de percurso, evoluindo os seus produtos e encontrando no setor digital uma forma de se aproximar do cliente.

Toda essa fase de adaptação fez com que o mercado imobiliário brasileiro fechasse 2020 com um crescimento de 8,4% nas vendas de imóveis novos, em comparação com o ano de 2019, e aumento de 57,5% no número de imóveis vendidos no terceiro trimestre do ano passado, comparado com o trimestre anterior. Com base nesses números, podemos dizer que, mesmo na quarentena, o mercado imobiliário conseguiu ultrapassar os resultados de um dos seus melhores anos, 2019, mesmo em tempos de instabilidade, como o vivido durante a pandemia.

Acredita-se que o mercado continuará aquecido, impulsionado pelo barateamento do crédito para financiamento imobiliário, pois a Selic, taxa básica de juros, chegou no final de 2020 a 2%, fazendo com que os bancos reduzissem, automaticamente, os juros para financiar imóveis. Outro fator que possibilitou este aquecimento foi o modelo de trabalho remoto adotado pelas empresas. Dessa maneira, muitas famílias procuraram lares maiores em cidades menores, perto de grandes centros.

Acredito que estamos em um momento incrível do setor. A Selic deve subir de 2% para no máximo 4% até o final deste ano. Com isso, a taxa continuará atraente, fazendo com que os valores das prestações de um imóvel financiado fiquem próximos às parcelas dos aluguéis, o que torna estes financiamentos 50% mais baratos do que tínhamos há dois anos.

Muitas pessoas se questionam sobre as mudanças desse “novo normal”, se serão reversíveis ou tendem a perdurar. Acredito que grande parte das transformações são benéficas para todo o setor, pois o mercado como um todo precisou evoluir, modificando as formas de atendimento, treinando melhor os seus times para propiciar tratativas acima da média, buscando uma experiência imersiva e mais próxima possível do que era entregue no modelo tradicional. Nota-se, também, que o consumidor anseia por essa nova maneira de entrega e imobiliárias que não estão alinhadas a esta nova roupagem de trabalho e dinamismo nos serviços prestados estão ficando para trás e perdendo vendas.

Quando fazemos uma análise sobre o atual momento, vemos que as principais mudanças estão na velocidade do atendimento, que antes era comum aguardar dias até o primeiro contato, além de receber um profissional totalmente despreparado para responder e apresentar o imóvel desejado. Hoje em dia, esse nível de relacionamento não é mais aceitável, já que a oferta está alta.

Portanto, podemos considerar essas mudanças positivas para as imobiliárias e incorporadoras, que se reinventaram e buscaram novas formas de atrair e encantar os consumidores no decorrer dessa epidemia, acelerando as empresas a mergulharem ainda mais na era digital.

*Roberto Rocha é CMO na Arbo Imóveis

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