Mercado financeiro e as novas soluções: entendendo a dor da sociedade

Mercado financeiro e as novas soluções: entendendo a dor da sociedade

André Bravo*

29 de julho de 2021 | 04h30

André Bravo. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil é um país enorme, rico e cheio de oportunidades. Estamos imersos em um cenário competitivo em que diversas fintechs estão sendo lançadas no mercado brasileiro. É o que mostra um levantamento feito pela 100 Open Startups, plataforma líder na conexão de empresas e startups, que conta com 1085 fintechs cadastradas no programa de inovação aberta até o momento, frente a 813 fintechs em 2020. No entanto, mesmo com esse “boom” de novas empresas, quando o assunto é mercado financeiro, é indiscutível que nós passamos séculos reféns de algumas instituições financeiras que se enraizaram por aqui.

Políticas econômicas de incentivo ao desenvolvimento tecnológico, adotadas nos últimos anos, permitiram que pessoas com viés empreendedor pudessem se arriscar e tirar as ideias do papel. Desta forma, nos deparamos com novos negócios que chegaram para resolver uma “dor” ou, em outras palavras, um problema social relevante. Por meio deste movimento levantado pelas fintechs, o Brasil experimentará muitos benefícios no setor financeiro, mas talvez um dos mais sensíveis seja a democratização do acesso ao crédito e o principal: taxas de juros, de fato, acessíveis.

Uma fintech, como toda startup, independente de sua área de atuação, pressupõe o desenvolvimento de serviços atrelados ao uso da tecnologia para resolver problemas existentes no mercado, ou mesmo otimizar serviços já existentes. No caso das fintechs, é necessário que o seu idealizador tenha conhecimento sobre o mercado, identificando as dores ou falhas existentes, buscando a solução de tais problemas por meio desta tecnologia. Porém, muito mais do que ter uma boa ideia, a estruturação de uma startup no segmento financeiro exige uma capacidade de execução muito grande, atrelada a uma boa dose de ousadia e otimismo.

Isso porque, toda ideia disruptiva, no começo, parece um plano fantasioso para quem olha de fora, até o dia em que dá certo e deixam de te considerar um louco e você passa a ser visto como alguém visionário. Ouso dizer que uma das principais causas de morte das fintechs é o desenvolvimento de produtos e/ou serviços “geniais”, que, efetivamente, não resolvem dor alguma da sociedade – ou seja, não havia quantidade significativa de pessoas ou empresas buscando por aquela solução e, consequentemente, não há interessados o suficiente para adquirir.

No que diz respeito ao crescimento acelerado das fintechs, diferentemente do que muitos possam pensar, quando bem estruturado, esta alavancagem tende a ser extremamente benéfica para a empresa. No entanto, embora não seja uma regra absoluta, é fato que existem momentos mais propícios para a busca de investimentos. Neste caso, a empresa deve ter superado a fase de estágio inicial de Minimum Viable Product (Produto Mínimo Viável, em português) e precisa estar em operação, com produto e público alinhados. É neste momento que entramos na fase do crescimento escalonado (growth).

De forma bem simplificada, é o momento ao qual estamos seguros de que o crescimento da empresa está proporcionalmente vinculado ao valor injetado de capital. De fato, o que lhe atribui valor e atrai o interesse dos investidores é a demonstração de que o negócio está escalando e que os recursos investidos darão retorno proporcionalmente superior à médio ou longo prazo.

Nosso país passa por um momento único, onde investidores do mundo inteiro estão visualizando grandes oportunidades e dispostos a aportar muito dinheiro em boas ideias e, mais do que isso, em boas pessoas. Uma boa dica é conhecer referências internas ou externas, os chamados benchmarks, que ajudam a ter mais clareza sobre o rumo a tomar. É indispensável tê-los por perto, aprendendo com seus erros, acertos e buscando compreender de que maneira você pode melhorar um serviço com relação ao oferecido no mercado, ou mesmo oferecer uma solução até então inexistente. Vencer a concorrência, na maioria das vezes, não está relacionado a quem oferecer o serviço mais barato, e sim quem agregará mais qualidade e resultado.

*André Bravo é COO da Bankme

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