Mercado de coliving na pandemia

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Mercado de coliving na pandemia

Juliano F. Antunes*

07 de agosto de 2020 | 04h00

Juliano F. Antunes. FOTO: DIVULGAÇÃO

O termo coliving se tornou mais conhecido no Brasil nos últimos dois anos e é baseado fundamentalmente no compartilhamento. São espaços de moradia, que fomentam a vida em comunidade, sem comprometer a individualidade, pensados para promover a aproximação de pessoas e a troca de experiências.

Muito se falou nos últimos tempos deste novo produto que já é popular em outros países do mundo, mas como ele se aplica localmente e qual a sua performance em um momento em que se pede justamente que as pessoas não tenham contato?

Por incrível que pareça, o mercado tende a crescer, mesmo em meio a pandemia da Covid-19, maior crise mundial já vista. Isso se dá ao fato de ser baseado no consumo compartilhado. Se antes desta crise já era sabido que a geração Y não possuía mais a mesma preocupação ou vontade que as anteriores de adquirir bens materiais de custo elevado, como casa própria, carro, e agora, mais ainda, eles trazem outras necessidades que ditam o comportamento do mercado: prezam pelo tempo, pela  liberdade de escolha, sem estarem presos a nada. Aliado a este cenário temos a crise, que tem transformado a maneira das pessoas consumirem produtos e até a forma de viverem, o que promete impactar também o setor de coliving.

Ficará ainda mais evidente o perfil da geração e a busca pela economia colaborativa, que consiste em produtos e serviços de custos reduzidos, porém com ideias melhores e maiores. Empresas já começam a deixar de investir em escritórios com altos valores de aluguéis, casas de temporada substituíram hotéis de luxo e negócios focados na fase mais importante da vida desta geração ganharão ainda mais espaço no mercado, como é o caso da hospedagem compartilhada para estudantes universitários e jovens que estão ingressando no mercado de trabalho. A categoria tem ficado popular no Brasil, desde 2012.

Não, não estamos falando sobre as tradicionais repúblicas. Essa ideia ganhou nova roupagem, trazendo, além do compartilhamento, estrutura, espaços que permitem a convivência, segurança, com o ingrediente que não pode faltar para essa geração: a preocupação em ocupar espaços revitalizados, que trazem um novo sentido para as comunidades nas quais estão inseridos. Tudo isso para garantir o ativo mais valioso dos jovens: o tempo para se dedicar aos estudos e ao trabalho.

A pandemia da Covid-19 traz desafios para o setor, além do impacto econômico ao mercado imobiliário no geral, assim como em todos, traz particularidades por afetar, diretamente, sua proposta principal: a interação entre os moradores. Mesmo sendo algo que os órgãos responsáveis acreditam ser temporário, as mudanças e adaptações estruturais devem ser realizadas. Além de todas as medidas de higiene e distanciamento, conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, também é necessário readequar espaços que promovam a mesma experiência de contato entre os moradores, para que o mercado não perca seu principal ingrediente. E, mesmo com o cenário controverso, existe um grande aliado dos colivings:  o lado emocional. Durante este período, pessoas que moram neste perfil de moradia estão menos ansiosas e menos estressadas. Isso se deve ao fato de se sentirem parte de uma comunidade e de poder ter um certo grau de interação.

Isso não é apenas uma opinião de quem respira esse mercado na prática. Segundo pesquisas de Harvard, as pessoas mais felizes e saudáveis foram aquelas que, ao decorrer da vida, cultivaram os relacionamentos de amizade. Aqueles que cultivaram os relacionamentos ao longo da existência acabam padecendo menos dos problemas físicos do que os que viveram solitariamente.

Portanto, o setor de coliving continuará em uma crescente e, a partir deste momento tão marcante da história, ainda deve ganhar novos adeptos e formatos. O peso do custo-benefício, estrutura, segurança, comodidade, entre outros fatores que propicia, ficará cada vez mais equilibrado com a questão emocional. Não será um imóvel, será valorizada a evolução como indivíduo, de viver em um ambiente diverso e qualidade das relações construídas que impactam, positivamente, em diversos fatores da vida.

*Juliano F. Antunes, CEO e co-fundador da Uliving

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