Mensaleiro volta à cena política e ataca desafeto em Osasco; assista ao vídeo

Mensaleiro volta à cena política e ataca desafeto em Osasco; assista ao vídeo

João Paulo Cunha, petista condenado na Ação Penal 470 e anistiado pelo Supremo Tribunal Federal, diz que Jorge Lapas (PDT), prefeito que não se reelegeu, 'cuspiu no prato que comeu'

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

01 de novembro de 2016 | 05h00

Perdoado em março pelo Supremo Tribunal Federal da pena de seis anos e quatro meses de prisão no Mensalão, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) ressurgiu na cena política. Após o segundo turno das eleições no município de Osasco, na Grande São Paulo, ele subiu novamente em um palanque, como nos velhos tempos, para criticar seu desafeto, o atual prefeito Jorge Lapas (PDT), ex-petista, que não conseguiu se reeleger neste ano.

O palanque de João Paulo Cunha era um trio elétrico estacionado em frente à sede da prefeitura osasquense. Na calçada, uma meia dúzia de transeuntes se pôs a ouvir o mensaleiro anistiado.

Isolado no alto do caminhão, não poupou o pedetista que, segundo ele, ‘cuspiu no prato que comeu’. Desafiou Lapas, a quem chamou de ‘covarde’ e ‘traidor’, a falar frente a frente com ele sobre Mensalão – que rendeu a João Paulo Cunha uma pena de prisão por peculato e corrupção passiva – o PT, a administração de Osasco e ‘o que ele quiser debater’.

“O povo não gosta de gente que cospe no prato que comeu, e foi exatamente isso que o Lapas fez. Agora eu posso falar porque não estou na campanha, não sou candidato, não apoio ninguém, não quero cargo nenhum, graças a Deus. Mas o que ele fez o povo precisa saber, a campanha baixa que ele fez o povo precisa saber”, seguiu o ex-parlamentar.

Filiado ao PT por onze anos, Lapas deixou a sigla em março e migrou para o PDT. Ele tentou se reeleger neste ano, mas foi derrotado no segundo turno pelo candidato do PTN, Rogério Lins.

Do alto do caminhão, o mensaleiro que ganhou perdão da Corte máxima fez um breve relato de sua própria carreira política, forjada ali mesmo, em Osasco. “Eu tive sete mandatos consecutivos, fui vereador a deputado federal, comecei com 1721 votos em 1982 e cheguei a 260 mil (votos) em 2010. Nunca perdi uma eleição prá deputado e vereador.”

Retomou o ataque a Lapas. “Ele teve uma oportunidade e jogou a oportunidade pela janela e a dgnidade dele pela janela nesse córrego que vai para o Tietê.”

Tornou a desafiar o prefeito. “Eu estou à disposição. (Lapas) venha falar na minha frente, não use as redes sociais prá me atacar, jornais apócrifos para me atacar. Venha falar na minha cara, vem falar na minha frente. Mas ele não vem falar, não veio e não vem falar.”

Protagonista do primeiro grande escândalo político da era Lula, João Paulo Cunha afirmou para quase ninguém. “Eu sofro menos porque eu sei o que vai na minha consciência, eu sei o que eu fiz e o que não fiz. Eu chego em casa e durmo. Os meus amigos e os meus companheiros sofrem mais do que eu.”
“Quero que Jorge Lapas seja feliz, mas infelizmente ele vai levar essa marca, a marca do mentiroso, a marca do covarde, a marca do traidor. Essas são as três marcas que o Lapas leva em sua brevíssima vida política de quatro anos.”

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