‘Mensalão e petrolão são um só’, diz Procuradoria

Ao denunciar por corrupção ex-ministro José Dirceu e mais 16, força-tarefa afirma que propina na Petrobrás era dividida, 50% para 'Casa' e 50% para o PT

Redação

04 Setembro 2015 | 18h56

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

O procurador da República Deltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa da Operação Lava Jato, disse nesta sexta-feira, 4, que o esquema de corrupção na Petrobrás envolvendo o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) se refere a contratos específicos na estatal. Para o procurador, o caso evidencia “um esquema partidário de corrupção”.

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“Mensalão e petrolão são um só”, decretou Deltan Dallagnol, ao divulgar denúncia contra Dirceu e mais 16 investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Segundo a força-tarefa, o ex-ministro recebeu pelo menos R$ 11,8 milhões em propina da empreiteira Engevix por contratos firmados com a Petrobrás. “Os pagamentos a Dirceu eram uma espécie de retribuição reservada a ele pela indicação do diretor de Serviços”, afirmou o procurador da República Robersson Pozzobon, em alusão ao engenheiro Renato Duque, apontado como elo do PT no esquema de corrupção na estatal petrolífera.

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José Dirceu é acusado de receber valores “antes, durante e depois” de ser condenado e preso no Mensalão, escândalo que abalou o primeiro governo Lula (2003/2006).

Segundo a denúncia, os valores de propina pagos pela empreiteira via lobista Milton Pascowitch, foram divididos em duas partes: 50% para a “Casa” e 50% para o PT via Vaccari.

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‘Casa’ era como a organização se referia à cota dos agentes públicos na divisão da propina – Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobrás, e Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia e braço direito de Duque.

A parte destinada a Dirceu vinha dessa cota e houve caso em que esse valor teve que ser incluído. Um exemplo foi o contrato da Engevix para as obras de Cacimbas da Petrobrás.

O criminalista Roberto Podval, que defende o ex-ministro José Dirceu, disse que vai aguardar intimação da Justiça Federal para apresentar seus argumentos. “O que posso dizer é que está comprovado que o Milton (Pascowitch, delator) enriqueceu às custas de Dirceu, usando o nome de Dirceu”, disse Podval, que também representa o irmão e a filha de Dirceu.

Ele disse que a defesa terá dez dias para entregar a resposta ao juiz Sérgio Moro. “No momento certo vamos à Justiça esclarecer tudo.”

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende João Vaccari Neto, afirmou que o ex-tesoureiro do PT ‘jamais arrecadou propinas’.”Ainda não tivemos acesso à integra da denúncia, mas pelas notícias veiculadas verifica-se que, mais uma vez, temos uma denúncia baseada exclusivamente em delação premiada sem que haja qualquer prova a corroborar tal delação.”

D’Urso é taxativo. “O sr. Vaccari jamais recebeu qualquer doação ilegal. Todas as doações foram realizadas ao PT, depositadas na conta bancária e prestado contas às autoridades. Tudo absolutamente legal.”