Mensagem ao pequeno e médio empresário

Mensagem ao pequeno e médio empresário

Marcelo Lico*

19 de julho de 2020 | 08h30

Marcelo Lico. FOTO: DIVULGAÇÃO

Qualquer prognóstico sobre a crise de saúde global, que já faz parte do nosso cotidiano, é um grande desafio para a nossa geração, já que o último grande evento desta magnitude que afetou a forma de vida da humanidade foi a 2.ª Guerra Mundial. Até o final de 2019, o termo “pandemia” não integrava o nosso vocabulário, mas em poucos meses, o coronavírus (covid-19) transformou o nosso jeito de viver e de conviver e deixará marcas profundas em todos nós.

Sob o aspecto empresarial, as empresas de todos os portes e segmentos, bem como os seus colaboradores, independentemente do nível ou cargo, vêm se adaptando. No mundo real do pequeno ou médio empresário, embora os indicadores da atividade econômica demonstrem uma sensível melhora nos meses de maio e junho, é difícil vislumbrar quando teremos o efetivo início do processo de recuperação econômica. A rota para uma recessão é certa, considerando o aumento do desemprego e de falências empresariais que deverão atingir níveis alarmantes. O governo federal vem tomando medidas no sentido de auxiliar a população e as pequenas e médias empresas durante a pandemia, o que vem minimizando o impacto recessivo

Todavia, para o pequeno e médio empresário, que começou a empreender há alguns anos, ou, que talvez esteja na segunda geração e que construiu algo importante para si e sua família, que contribui na geração de algumas dezenas ou centenas de empregos, no desenvolvimento da sociedade como um todo e que busca sobreviver, cabe um alerta: não espere ações do governo para agir. Infelizmente, o quadro é muito nebuloso e os empresários deste tão sofrido país terão que estar preparados para fazer a sua parte, pois a única certeza que podemos vislumbrar é que teremos um futuro breve de muitas incertezas.

Portanto, seguem algumas dicas:

a) Assuma o controle da situação: Na crise, o cenário é de modificação. O empresário deve assumir como o comandante do navio e não se vitimizar. O seu foco não deve ser nos problemas, mas na solução dos problemas. E terá que estar preparando para tomar muitas decisões, algumas muito difíceis.

b) Não busque os culpados: Com o estrago feito, agora não importa quem são os culpados, até porque não serão eles que resolverão o seu problema. É difícil dizer quem é o culpado pelo que estamos vivendo atualmente. Na atual conjuntura, quando falamos de uma crise global e generalizada, todos devem estar pensando na sua própria sobrevivência;

c) Tenha números! É bom lembrar que a gestão financeira e contábil da empresa sempre deve ser eficiente. Temos que saber exatamente o que temos para pagar e receber no curtíssimo e médio prazo. Estabeleça prioridades, sendo que a folha de pagamento sempre é a obrigação mais importante;

f) Incorpore a arte da negociação na sua vida: Tenha uma proposta realista e factível e negocie tudo o que puder. Vá até os limites de negociações com fornecedores, credores e principalmente bancos. Obviamente, a conversa não é a mesma com todos os credores. Com bons argumentos, é possível afirmar que em grande parte dos casos, é possível chegar a um acordo satisfatório;

g) O cliente é o chefe: oriente as suas equipes de vendas ou de atendimento para que estejam próximas dos clientes. Neste momento difícil não devemos parecer oportunistas, mas precisamos mostrar que somos seus verdadeiros parceiros, no sentido de também entender as suas angústias, negociar com eles os valores que temos para receber (se for o caso) e principalmente manter a fidelidade, quando a situação voltar ao normal;

Em termos práticos, esteja preparado para liderar a sua empresa no que promete ser o ambiente de negócios mais difícil das últimas décadas. Por fim, é nas crises que nos reinventamos e quem sobreviver sairá fortalecido e muito melhor em seu desempenho empresarial, construindo o alicerce de uma grande empresa no futuro.

*Marcelo Lico, CEO e sócio da Crowe Macro Auditores e Consultores

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