Menos palanque, mais união: ações conjuntas pela economia de nosso país

Menos palanque, mais união: ações conjuntas pela economia de nosso país

Karim Miskulin*

27 de março de 2020 | 04h00

Karim Miskulin. FOTO: DIVULGAÇÃO

Estamos vivendo uma das piores épocas da história, os efeitos do novo coronavírus ainda são incertos e as dúvidas crescentes. No entanto, uma coisa é concreta: a economia mundial irá sofrer as consequências. O que no resta, portanto, é tentar minimizar os efeitos dessa hecatombe.

Políticos precisam urgentemente parar de pensar em ganhos eleitorais para pensar nas vidas de milhões de brasileiros. Disputas políticas não fazem o menor sentido nesse momento. As batalhas que precisamos vencer, de fato, são sim contra a covid-19, mas também contra o desemprego em massa, contra a fome e a miséria.

Porque, com o fechamento total de empresas, restaurantes, e os chamados serviços “não essenciais” o que vamos ter é uma parada da economia. Sim, salvar vidas é mais importante do que a economia. Mas e os impactos com a recessão? Pessoas que perderão seus empregos, que não levarão comidas para as mesas de suas famílias, que não terão mais condições nem de comprar produtos básicos de higiene. A ameaça também é real e, obviamente, afeta a parcela mais vulnerável de nossa sociedade.

Não sou médica, por isso não tenho aqui a pretensão de achar soluções epidemiológicas. No entanto, tenho visto um movimento crescente, que precisa ser pautado pelos nossos políticos e discutido pela sociedade. Diversos profissionais da saúde falam em focar o confinamento apenas nos grupos de risco, com um prazo determinado para o isolamento geral. Afinal, dizem, o impacto da covid-19 em pessoas com menos de 60 e sem condições de saúde pré-existentes tem se mostrado similar à influenza. Além disso, avaliam, não há garantias de que após um período de quarentena rigorosa da população, mesmo que prolongado, a covid-19 não irá continuar provocando surtos e infectando a comunidade.

Por fim, trago aqui para a discussão um estudo da Fiocruz, FGV e Imperial College, publicado na revista Lancet Global Health, que mostra que o aumento do desemprego entre 2012 e 2017 no Brasil causou um excesso de mortes de 31.415. Não queremos que aconteça novamente.

Isso posto, faço mais uma vez o apelo para que as autoridades pensem em prol do nosso país. Já que estamos em quarentena, por que não uma ação coordenada do Congresso, governadores e do presidente? Medidas de reforço da rede de saúde, de incentivo à pesquisa e da campanha de vacinação?

A discussão está colocada, com argumentos concretos. Então, mais do que pensar nos ganhos políticos, vamos pensar no bem da nossa sociedade.

*Karim Miskulin, cientista política, diretora executiva do Grupo Voto e presidente do Ciclo Brasil de Ideias

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