Menos flores e mais mulheres vivas e felizes

Menos flores e mais mulheres vivas e felizes

Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães*

06 de março de 2019 | 14h53

Cândida Cristina Coelho F. Magalhães. FOTO: DIVULGAÇÃO

No Dia Internacional da Mulher não há que se falar em flores, pois não vivemos em jardins entre borboletas e respeito. A realidade da mulher brasileira demonstra que se mata mulheres e fecha as cortinas para próxima cena de feminicídio.

Assustadoramente, os números apontam que o Brasil é o quinto país em morte de mulheres em todo mundo, simplesmente pela condição do gênero ou pelo ápice da violência doméstica já instalada no âmbito familiar ou na relação íntima de afeto.

Porém , os números não alcançam a verdadeira estatística, haja vista, que o crime de violência doméstica é extremamente subnotificado por inúmeras razões , logo a condição de violência é ainda mais grave e latente.

Indubitavelmente, os fatos e estatísticas demonstram que ser mulher é viver em riscos constantes, um estado de guerra ao qual nos sentimos ameaçadas a todo tempo, somos consideradas objetos e assediadas, violentadas e violadas até nas garantias mínimas e, inclusive, mortas pela condição do nosso gênero.

Definitivamente, ser mulher dá um frio na alma e um medo valente de transpor tudo que nos aprisiona.

Importante ressaltar que o sistema de violações aos direitos das mulheres é constante , pois são diversas formas de omissões , as quais potencializam a vulnerabilidade das mulheres a todo momento.
É possível identificarmos negligência no campo político materializada pela orfandade de politicas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

O Sistema de Justiça caminha sem pés rumo à execução das Leis e a sensibilidade de aplica-la na íntegra. A bússola aponta uma estrada ainda não percorrida, pois há uma latente necessidade de interiorização da rede de acesso à Justiça Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em todo o Brasil, profissionais humanizados, uniformidade na aplicação da lei nos órgãos jurisdicionais.

A omissão da sociedade abandona o senso da empatia e conforta-se na naturalização da violência contra as mulheres, afinal o sistema patriarcal ensina lições de desigualdade, privilégios e violações ao gênero supostamente inferior.

Portanto, o Dia Internacional das Mulheres também é dia de revolucionar as letras e palavras , que de forma enfática denunciam a clara resistência em combater a violência contra as mulheres no Brasil de forma objetiva, transversal , eficaz,humana,legal e estruturante.

Uma leitura mesmo sem lentes de aumento são capazes de trazer uma fatiga emocional vestida de desespero e tristeza… Afinal, quantas mulheres ainda precisarão ser mortas para compreenderem que não queremos flores?

A luta é por um sistema de proteção e prevenção que mude a realidade das mulheres no Brasil , queremos viver como Alice ou como Maria no “ país das maravilhas”.

As mulheres precisam permanecer vivas para escrever e contar suas próprias histórias,porque mulheres são protagonistas de si mesmas.

Reflexivo Dia Internacional das mulheres para todas nós!

*Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães, advogada, palestrante, poetisa e militante pelos direitos das mulheres