Menos asilos, mais vida

Menos asilos, mais vida

Como os mercados imobiliário e turístico olham para pessoas acima dos 65 anos?

Caio Calfat*

04 de dezembro de 2019 | 08h00

Caio Calfat. FOTO: CALÃO JORGE/SECOVI-SP

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a população brasileira com 65 anos de idade, ou mais, cresceu 26% nos últimos sete anos.  Somente na cidade de São Paulo, de acordo com a Fundação Seade, 1,7 milhão de pessoas estão nessa faixa etária, o que corresponde a 15% dos paulistanos. Até 2050, o número de idosos deve chegar aos 30% do total da população da maior capital do país.

Essa perspectiva tem ampliado as discussões das ações que precisam ser tomadas pelo poder público no que diz respeito a questões básicas como sistema de saúde, previdência social, infraestrutura urbana, mobilidade, entre outros, mas também pela iniciativa privada, no que tange os mercados imobiliário e turístico.

No Brasil, temos a cultura do asilo arraigada de forma triste e bastante equivocada. Asilo se tornou sinônimo de local onde se espera a morte chegar e o que a realidade nos apresenta é uma verdade diferente. Os “idosos” de hoje são pessoas ativas, produtivas e aptas a manter sua independência pelo maior tempo possível. Lugar de idoso não é em instituições de longa permanência, mas sim em moradias que facilitem a integração social, que motivem a mobilidade, incentivem a prática de atividades físicas e de lazer. Ou seja, lugar de vida.

Essa discussão ainda é recente por aqui, mas pauta recorrente e amplamente discutida em países como os Estados Unidos, por exemplo. Se a ideia é não precisar de instituições de longa permanência, por que não viver em edifícios e empreendimentos voltados à senioridade, mas projetados para felicidade e bem-estar?  Se a ideia é vida, por que não desenvolver empreendimentos turísticos que de fato valorizem esse público e suas necessidades?

Empresários, arquitetos, urbanistas, engenheiros e especialistas de várias áreas estão cada vez mais empenhados em discutir as cidades, os tipos diferenciados de moradias, como por exemplo moradia adaptada e cohousing, e elaborar propostas que tenham esse público como protagonista.

É nesse sentido que entidades como a Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT), Secovi-SP, entre outras, se propõem a ampliar o debate e trazer luz a questões que envolvam a causa da longevidade. Envelhecer é viver, e não o contrário.

É preciso, de uma vez por todas, que os mercados olhem para isso sem preconceitos, sem ideias ultrapassadas e com o entendimento de que a longevidade é um excelente negócio.

*Caio Calfat é presidente da ADIT Brasil e vice-presidente de Assuntos Turísticos e Imobiliários do Secovi-SP

 

 

 

 

 

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: