Menina de oito anos tem cabelo cortado por colegas enquanto dormia em transporte escolar público

Menina de oito anos tem cabelo cortado por colegas enquanto dormia em transporte escolar público

Karla Santos, 40, postou nas redes episódio que deixou sua filha 'traumatizada, com medo de ir à escola'; em nota, a prefeitura de Rio Largo, a 25 quilômetros de Maceió, informou que está apurando o caso

Jayanne Rodrigues

21 de fevereiro de 2022 | 18h57

Karla afirma que a filha foi vítima de bullying. Desde o ocorrido, a menina ainda não voltou para a escola. Foto: Reprodução/ internet

“Está havendo negligência”, relata a cabeleireira Karla Santos, 40, mãe de menina de oito anos que teve os cabelos cortados enquanto dormia em um transporte escolar público que leva alunos do 1º ao 5º ano. O caso aconteceu na última quinta-feira, 17, em Rio Largo, município a 25 quilômetros de Maceió. Segundo Karla, o ato foi praticado por duas crianças que estudam na mesma instituição que a filha, na Escola Antônio Lins de Souza

O comportamento introspectivo da garota acionou um alerta na cabeleireira no mesmo dia. Mas ela só percebeu que tinham cortado a parte de baixo do cabelo da menina no dia seguinte, quando foi penteá-la para passearem. “Eu perguntei o que tinha acontecido, ela me disse que estava dormindo e viu duas meninas rindo dela”, conta a mulher. Foi neste momento que a garota se deu conta do que havia sido feito. 

Com oito filhos, Karla e o marido revezam o horário do expediente para cuidar da casa e das crianças. Mesmo com a rotina puxada, ela conta que sempre ficou atenta e afirma ser a primeira vez que um dos filhos é vítima de bullying no ambiente escolar. “Isso é um trauma, né?”

Na sexta-feira, 18, a filha mais velha de Karla procurou a direção do colégio para cobrar explicações sobre o caso. Ela diz que só teve posicionamento da instituição após publicar um vídeo mostrando o cabelo cortado da menina nas redes sociais. “Foi quando eles deram importância e vieram me procurar.”

Sobre a possibilidade de mudar a filha de turno ou de escola, ela descarta. “Eu quero que eles resolvam para que isso não aconteça com meus filhos e nenhuma outra criança”, destaca. A menina ainda não voltou para as aulas. “Ela ainda não está se sentindo segura”. Segundo Karla, a instituição comunicou que vai dar um retorno sobre as decisões tomadas na quinta-feira, 24. 

“A gente tem uma questão séria para resolver”, pondera Karla. Ela considera que a educação está sendo negligenciada, pois a violência praticada contra a filha foi naturalizada pelas demais crianças e adolescentes que presenciaram a cena. “Estamos pecando na questão da orientação”, e acrescenta “o transporte público é bom para os pais que trabalham, mas falta segurança”. 

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE RIO LARGO

“A prefeitura de Rio Largo, por meio da secretaria municipal de Educação (SEMED) informa que está apurando o fato mostrado na reportagem e que todos os ônibus escolares do município de Rio Largo possuem monitor escolar para levar os alunos com segurança até as unidades de ensino. Salientamos ainda o compromisso com os alunos da rede municipal, e reiteramos a disposição da equipe da SEMED para solucionar o ocorrido junto à família.”

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