Indicado de Bolsonaro, Mendonça abre cinco dias para presidente, Lira e Pacheco se manifestarem sobre fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões

Indicado de Bolsonaro, Mendonça abre cinco dias para presidente, Lira e Pacheco se manifestarem sobre fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões

Em seu primeiro despacho, ministro sinaliza que tema deve ser enviado direto para análise no plenário do STF

Rayssa Motta/São Paulo e Daniel Weterman/Brasília

12 de janeiro de 2022 | 14h33

André Mendonça foi empossado em dezembro ministro do STF. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para o presidente Jair Bolsonaro (PL) e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), prestarem informações sobre o aumento do fundo eleitoral.

Em despacho nesta quarta-feira, 12, o primeiro desde que foi empossado, Mendonça sinaliza que deve pautar a ação para julgamento colegiado no plenário, ‘em homenagem à segurança jurídica’.

“Demonstra-se recomendável que esta Corte aprecie de maneira colegiada o pleito cautelar aqui apresentado antes dos marcos temporais supracitados”, escreve.

A ordem foi dada em uma ação movida pelo partido Novo, que contesta o teto de R$ 5,7 bilhões para bancar as eleições de 2022. Em dezembro, às vésperas do recesso legislativo, o Congresso derrubou o veto de Bolsonaro e abriu caminho para o aumento das despesas de campanha. A sigla diz que deputados e senadores invadiram uma competência do presidente, a quem cabe enviar a proposta de orçamento, incluindo os critérios para o cálculo do fundo.

O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, deposita na Corte a esperança de uma decisão para barrar o aumento do financiamento das eleições. “Espero que haja uma decisão urgente sobre o assunto e que o aumento do fundo seja declarado inconstitucional. Consideramos esta aprovação uma imoralidade e feita por meio de mudanças de regras no apagar das luzes dos trabalhos legislativos”, disse.

O fundo eleitoral foi criado em 2017 depois que o STF proibiu o financiamento empresarial das campanhas, que na avaliação dos ministros causava distorções ao processo eleitoral e permitia que empresas usassem as doações para mascarar o pagamento de propina via caixa dois. O valor reservado para o próximo ano é o maior da história. O relatório final do Orçamento de 2022, apresentado pelo deputado Hugo Leal (PSD-RJ), prevê R$ 5 bilhões para o fundo, montante um pouco menor do que os R$ 5,7 bilhões possíveis com a mudança no cálculo.

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