Memórias esquecidas

Memórias esquecidas

Jairo Ruiz Garcia*

13 de outubro de 2020 | 10h00

Jairo Ruiz Garcia. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Inicio a minha reflexão lembrando do então Jurista, Rui Barbosa (1849-1923). De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

Esta frase célebre de Rui Barbosa, daria com certeza uma grande aula para todos os brasileiros, compreenderem a importância de serem honestos e cumpridores dos deveres.

O momento atual que vivemos no país requer uma grande reflexão sobre o ser honesto e o combate a corrupção, onde podemos encontrar na Polícia Federal uma grandiosa atuação contra a corrupção e todo tipo de crime que redunde em prejuízos para os cidadãos de bem.

Memórias Esquecidas, foi o título que escolhi para este artigo,  por eu ao me introspectar e caminhar no tempo até o ingresso na Polícia Federal na função de Delegado, percebi como foi importante esta minha trajetória e como continua a ser na atualidade e não desejo que se torne uma Memória Esquecida.

Ingressei na Polícia Federal em 1977, passei por um curso de formação muito bem aparelhado e preparado e ao iniciar a minha atuação tive a honra de prestar serviços em vários lugares do Brasil e ainda prestar serviços fora do país. Atuei como Diretor da ADP/SP (Associação dos Delegados Federais de São Paulo), onde me acrescentou muitos conhecimentos e eu pude também exercer a direção de um importante órgão que agrega o crescimento da Polícia Federal através da atuação dos Delegados Federais.  Me sinto honrado pela minha trajetória. Aprendi muito com grandes profissionais que pude encontrar em meu caminho e jornada, Delegados Federais e Agentes Federais, como Escrivãos e Técnicos que atuaram na minha época. De cada um(uma) que esteve ao meu lado, não vou citar os nomes porque corro o risco da memória falhar e faltar algum, não quero ser injusto, mas meu muito obrigado.

Atuar como Delegado Federal por mais de 20 anos foi um grande aprendizado, como citei acima e o meu lema formado já nos primeiros anos, foi combater a corrupção institucionalizada nas organizações que consumia o dinheiro público = dinheiro do povo.

Isto há praticamente há 40 anos atrás, digo 40 anos porque já se foram 20 anos após a minha aposentadoria sempre foi a meta da Polícia Federal e também a minha meta que na atualidade tenho feito o papel de cidadão: ser militante na rede social Facebook e Whatsapp em prol do fim da corrupção, da valorização da Polícia Federal e de todo o seu corpo de profissionais.

Abro um parêntese importante: aposentar-se da Polícia Federal para mim não foi o fim da carreira. Compreendo que no início não é um momento fácil, mas o sentimento de pertencimento sempre continuou em meu ser. Fui atuar como advogado, profissão que eu também sempre gostei e me esforcei para dar o melhor de mim, como também na de delegado. E recentemente, encontrei no mercado imobiliário uma trajetória profissional que muito me encantou, porque antes de eu ser aprovado no Concurso Público para Delegado Federal eu atuava como vendedor de carros em uma Concessionária, uma atividade que trazia o sustento e eu gostava muito. Recomendo até que quer entrar nesta profissão ler o livro “O maior vendedor do mundo” de Og Mandino. E na atualidade eu após fazer o curso de corretagem eu trabalho como corretor, mas nesta profissão incrivelmente aplico conhecimentos também adquiridos na função de Delegado Federal, é a multiplicidades de conhecimentos.

Vejam de forma positiva esta multiplicidade de atuação na vida de uma pessoa, porque representa a proatividade, tão importante no exercício de uma profissão.

Ao lado desta minha trajetória profissional, eu tenho um espírito de educador. Acredito que no nosso país somente terá uma melhora para abaixar os altos níveis de corrupção, quando realmente a educação fizer parte do cotidiano de cada cidadão.

Tenho um pensamento que carrego comigo: Cora Coralina (1889-1985): Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.

Hoje, com 76 anos, me sinto gratificado pela aprendizagem, e assim, relembrando momentos passados, mas que não devem ficar esquecidos, trago à luz, com um conteúdo que pode trazer uma boa reflexão para as novas gerações que estão ingressando na Polícia Federal,  uma reportagem publicada na  Revista Prisma da Associação dos Delegados da Polícia Federal, do triênio Jan-Fev-Mar/1998, que participei e onde o tema foi um análise da atuação da Polícia Federal e da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF).

O conteúdo desta entrevista foi importante na época por esclarecer alguns pontos sobre a atuação da Polícia Federal e o nobre e importante trabalho dela.

E assim, por finalizar este breve artigo, reafirmo: é importante sim a Autonomia da Polícia Federal, autonomia administrativa, jurídica e ação. A Polícia Federal é uma polícia de ação, que atua e traz os resultados da atuação para a sociedade, então o produto final é acabar com a corrupção e contravenções penais que prejudicam os cidadãos, um exemplo tácito é quando se tem um desvio de dinheiro público (de instituições públicas) que seria investido na saúde, na educação, na segurança do cidadão, quem fica ao final no prejuízo é o cidadão e por isto e por inúmeros outros pontos, é necessário a autonomia da Polícia Federal sempre, independente de governo ou política.

Abraços fraternais a todos os leitores.

(Artigo publicado originalmente no site da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal)

*Jairo Ruiz Garcia é delegado federal aposentado, advogado atuante e corretor de imóveis

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