Membros do Patriota vão ao TSE contra atos do presidente do partido para viabilizar filiação dos Bolsonaro

Membros do Patriota vão ao TSE contra atos do presidente do partido para viabilizar filiação dos Bolsonaro

Vice-presidente, secretário-geral e outros seis integrantes da sigla acusam decisões 'individuais e abruptas'

Rayssa Motta

31 de maio de 2021 | 18h04

A possível debandada do clã Bolsonaro ao nanico Patriota provocou um ‘racha’ na cúpula do partido, que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a presidente da sigla, Adilson Barroso, acusado de irregularidades na organização da convenção nacional em que foi anunciada a filiação do senador Flávio Bolsonaro (RJ) nesta segunda-feira, 31.

Documento

A ação enviada ao TSE é assinada pelo vice-presidente, Ovasco Resende, o secretário-geral, Jorcelino Braga, e outros seis integrantes do partido. Eles acusam o presidente do Patriota de convocar a convenção ‘às escondidas’ e de alterar a composição do colégio eleitoral no sistema do TSE para garantir maioria na votação que alterou o estatuto e favoreceu a entrada dos Bolsonaro, tudo isso sem comunicar os correligionários.

“O Presidente Adilson Barroso Oliveira está a praticar atos individuais e abruptos na gestão de um partido de caráter nacional”, afirmam. “Pretendendo alterar o colégio eleitoral da convenção nacional, suprimindo votos desinteressantes e inserindo votos a seu favor, o Presidente Nacional Adilson Barroso Oliveira também suprimiu as Direções Estaduais que pugnavam pela tomada desta decisão de modo democrático e com ampla publicidade nas fileiras partidárias”, prosseguem.

O senador Flávio Bolsonaro mostra sua ficha de filiação ao Patriota. Foto: Reprodução

Na ação, os integrantes afirmam que nunca foram contra a filiação do grupo político de Bolsonaro, mas sustentam que a decisão sobre sua entrada no partido deve ser tomada de modo democrático. Eles dizem que a Comissão Executiva e o Conselho Político Nacional do partido chegaram a convocar o presidente da sigla para firmar uma diretriz nacional sobre o tema, mas enfrentaram resistência.

“Tratando-se de questão partidária, que depende de deliberações democráticas, nenhum integrante do partido pode agir como “dono” da grei”, diz outro trecho da ação. “Sabendo-se que o Exmo. Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro tem pretensões à reeleição e busca acomodar diversos apoiadores e mandatários, compete à convenção nacional do Patriota decidir democraticamente se o partido terá candidatura presidencial própria em 2022 e, em caso positivo, se é vontade da maioria que o candidato seja o Exmo. Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro e que seus apoiadores ocupem posições no Patriota.”

O pedido é para suspender os atos do presidente do Patriota. O processo foi distribuído ao ministro Edson Fachin.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.