Medicamentos inovadores e vacinas contra a covid-19

Medicamentos inovadores e vacinas contra a covid-19

Javier Marin*

08 de junho de 2020 | 09h30

Javier Marin. FOTO: DIVULGAÇÃO

A meados de dezembro foi detectado pela primeira vez o SARSCoV-2, renomeado como covid-19, mas quando encontraram sua origem, o vírus já se havia espalhado porque, de forma diferente de outros como o SARS Cov-1, este permanece oculto por muito tempo. Não obstante, depois de cinco meses de esta crise sanitária e econômica, já há sinais de esperança para curar e imunizar a população, graças ao trabalho a marchas forçadas de dezenas de cientistas ao redor do mundo que cada vez estão mais próximos de encontrar medicamentos que prometem à humanidade colocar um fim a este letal vírus. Na carreira pelo desenvolvimento de terapias e vacinas, cientistas na China, Alemanha e Estados Unidos estão à frente das investigações.

A carreira científica para criar medicamentos contra o vírus hoje a encabeça Gileade Sciences, o fabricante de Remdesivir, porque já recebeu uma autorização de uso de emergência da FDA para o tratamento de alguns pacientes gravemente afetados pelo coronavírus, depois de que testes clínicos mostraram que remdesivir melhorou o tempo de recuperação para pacientes com coronavírus e também pode reduzir a probabilidade de que morram. Remdesivir é um antiviral, que de acordo a informação da Gileade, havia sido estudado previamente para o tratamento do Ebola.

O tema do possível preço do Remdesivir, depois de que ocorra a doação de 1,5 milhão de doses, está em debate entre analistas de Wall Street, grupos de defesa de direitos de consumidores e pacientes, e expertos na indústria farmacêutica. Se propõe desde um preço razoável que não afete a rentabilidade futura da empresa, até somente cobrar o preço de manufatura. A OMS declarou recentemente que estava em conversações com a Gileade para conseguir que o produto esteja disponível amplamente, apesar de que a empresa não se pronunciou em relação ao preço. O tema aqui é si se valorará a inovação, reconhecendo um custo que inclua o de P&D, assim como do impacto que este valor possa ter para criar as condições favoráveis –ou não– para a inovação. Quer dizer, o debate sobre o aceso quase gratuito às novas terapias e vacinas pode desincentivar a investigação de empresas farmacêuticas por não poder amortizar o enorme custo que supõe os recursos destinados à investigação e desenvolvimento de novas alternativas.

A Gileade ainda espera a aprovação regulatória do fármaco por parte de agências regulatórias de muitos países, tão pronto terminem os estudos científicos que estão sendo feitos e que os resultados confirmem os dados com que se autorizou por emergência o uso do Remdesivir nos Estados Unidos. O Japão também outorgou autorização de emergência para o uso do Remdesivir como tratamento contra o SARS CoV-2, somente três dias depois de que o fabricante solicitara a aprovação para seu novo antiviral. Por sua parte, a farmacêutica Roche também recebeu a aprovação de emergência da FDA para uma prova de anticorpos contra o coronavírus e prometeu uma rápida produção. A empresa espanhola Grifols informou também do desenvolvimento acelerado de uma prova diagnóstica específica de alta sensibilidade para detectar o vírus.

Restos adicionais para a Gileade e para qualquer empresa fabricante de um novo fármaco ou vacina são os que representam a estratégia de comunicação e relacionamento para que tanto os reguladores, tomadores de decisões, comunidade médica e a opinião pública valorem atributos como o compromisso, a inovação e a contribuição. Quer dizer, conseguir que o mercado premie a contribuição em lugar de castigá-la. Outro ponto crítico para qualquer empresa que esteja investigando uma terapia, vacina ou inclusive provas de diagnóstico representadas pela participação ativa na conversação para gerar uma história orientada a gerar aliados informados, evitando a atual situação que provoca um vazio informativo que não conduz a uma correta valoração do produto e incluso a qualificar negativamente aos fabricantes.

Em quanto a conseguir a imunização humana, a OMS anunciou que estão em processo 102 possíveis vacinas para covid-19 em todo o mundo, 8 delas autorizadas, 7 já para provas em humanos, um trabalho em tempo recorde que leva 3 meses, mas ainda se encontram em desenvolvimento, 4 na China e as restantes na Europa e Estados Unidos. Pfizer acelerou suas investigações e estima que para o fim do ano terá pronta a vacina. Virólogos como os espanhóis Luis Enjuanes, Isabel Sola e Sonia Zúñiga do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha (CNB-CSIC) consideram que, no melhor dos casos, demorariam entre 12 e 18 meses para ter a vacina pronta.

Embora os avanços na investigação deem esperança, autoridades de saúde como a OMS, cientistas, especialistas e corpo médico estão preocupados pelas decisões governamentais de abrir as restrições antecipadamente, pressionados pela crise econômica generalizada, já que para alguns governantes, a crise econômica pode ser pior que a pandemia.

A atual contingência traz consigo a oportunidade para que as empresas farmacêuticas deem um giro à percepção e se vinculem com sus audiências, para que estas valorem a contribuição social mais apreciada nesta pandemia: os novos e eficazes medicamentos e vacinas.

SEIS RECOMENDAÇÕES BÁSICAS:

Contar com um plano de ação. É imprescindível estar preparados para atuar com rapidez e procedimentos definidos que evitem a improvisação.

Construção de Narrativa. Este contexto representa uma oportunidade única para construir uma narrativa que modifique a percepção negativa e recupere o valor que tem a indústria farmacêutica como ator fundamental para melhorar sistemas de saúde, e ajudar a médicos a ajudar a seus pacientes.

Entender a Conversação e Ter um Papel Ativo. Primeiro implementando um sistema que permita analisar, filtrar e valorizar o conteúdo e segundo, participando com uma narrativa adequada.

Estratégia Global e Adaptação Local. Comunicar a mesma mensagem, mas identificando objetivos e oportunidades locais.

Relato Adaptado para Diferentes Públicos e Canais. Isto garantirá a compreensão da mensagem com um enfoque em logro de objetivos específicos para cada audiência.

Imediatismo e Transparência. A informação deve ser distribuída de maneira oportuna, o conceito de imediatismo ganha especial relevância para evitar especulações e desconfiança contra a empresa.

*Javier Marin, diretor sênior Healthcare das Américas da LLYC

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