Mediação e força no combate ao crime

Mediação e força no combate ao crime

Flavio Goldberg e Valmor Racorti*

22 de março de 2021 | 12h00

Flavio Goldberg e tenente-coronel Valmor Racorti. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Este é um exemplo em carne viva dum episódio ocorrido na metrópole paulistana que poderia ter terminado em tragédia, mas, através do diálogo conduzido com critérios científicos de persuasão, se resolveu, pacificamente.

Esta ordem de acontecimentos aumentados pela realidade sócio econômica que o país vive demanda o preparo humanista dos quadros policiais que devem intervir, conscientemente, para o desfecho respeitante à sensibilidade dos direitos de cidadania e a repercussão no próprio equilíbrio da cidade.

Na polarização extrema dos condutos insidiosos do crime organizado e  mesmo do crime selvagem, quadrilhas e bandos ou até individuais cabe citar a infiltração, manobra e, finalmente, violência do que podemos considerar uma órbita de “Estado de narco-aparelhagem”.

Sabemos que em todos países, em exceção, numa capilaridade que se inicia com a produção e vai até o consumidor final, numa linha quase “tayloriana” de industrialização, bandidos de colarinho branco ou os matadores de aluguel, através de lavagem de dinheiro promovem um processo horizontal que contamina a comunidade, escolas, bancos, hospitais, política, religião, enfim em que nenhuma faceta escapa até a horizontal que penetra nos escalões de poder, de forma infiltrada e por isto, perniciosa.

Este o crime ou se preferimos, os crimes em que não se admite a mediação.

Este o lado perverso que cada vez mais exige tática de guerra, porque é de guerra que se trata, no sentido de milhões de vidas arruinadas pela cocaína, maconha, corrupção, redes de exploração de prostitutas, enfim aquilo que a imaginação mórbida é capaz de criar para ganhos milionários a custa do sofrimento de inocentes, de famílias e corrosivo para a nação.

Nesta conjuntura somente a inteligência científica e o empenho de corpo-a-corpo pode rastrear, localizar e eliminar os focos disfarçados e as vezes quase escancarados daqueles que se dispõe a destruir o pacto de civilização que sustenta a própria democracia, segundo o espírito da Constituição.

Retirar das trevas e da clandestinidade os elementos que circulam com sua brutalidade e violência é uma tarefa que se harmoniza com a necessidade de um desenvolvimento orgânico e articulado do Estado à serviço do cidadão.

Estas as duas faces do sistema policial à serviço da Lei como instância protetiva da sanidade social garantindo que a vida se sobrepuja à destruição dos valores morais e materiais que asseguram a estabilidade da Nação, inclusive e principalmente em épocas de “stress coletivo”.

*Flavio Goldberg, advogado e mestre em Direito

*Tenente-coronel Valmor Racorti, comandante do Batalhão de Operações Especiais de São Paulo

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