‘Me leva com você?’

‘Me leva com você?’

Tensão no interrogatório de Lula, que se arrastou por três horas nesta quarta, 14, na Justiça Federal em Curitiba, foi quebrada por momento de descontração quando ex-presidente sugeriu acompanhar seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio, que teve de se retirar da audiência

Julia Affonso e Ricardo Brandt

15 Novembro 2018 | 13h29

O interrogatório do ex-presidente Lula, marcado por um clima de forte tensão nesta quarta-feira, 14, teve lá o seu momento de descontração e amenidades. Após o Ministério Público Federal encerrar seus questionamentos na audiência da ação penal do sítio de Atibaia que se arrastou por três horas, o advogado José Roberto Batochio, veterano criminalista que integra a defesa do petista, pediu licença e se retirou.

“No início da audiência, eu tinha avisado à sra escrevente que eu ia ter que me retirar da audiência, vou pedir licença à Vossa Excelência, meu colega continua na defesa. Agradeço e desejo a todos bom feriado”, comunicou Batochio à juíza Gabriela Hardt, que interrogou Lula.

“Me leva com você?”, pediu Lula, arrancando risadas dos advogados.

“Se o sr quiser ficar em silêncio, também podemos encerrar”, sugeriu a magistrada a Lula.”O sr quer responder às outras perguntas ou quer encerrar?”

Batochio levantou-se e abraçou Lula.

‘Tchau, não quer me levar, não?’, insistiu o ex-presidente, que está preso desde a noite de 7 de abril na sede da Polícia Federal de Curitiba, para cumprimento de uma pena de 12 anos e um mês de reclusão em outro processo, o do triplex do Guarujá.

Nesta quarta, 14, Lula falou por cerca de 3 horas em seu interrogatório. Após o depoimento, na Justiça Federal de Curitiba, ele retornou à carceragem da Polícia Federal, escoltado por um forte aparato de agentes armados.

O ex-presidente ocupa uma sala especial na sede da PF de Curitiba.

Esta é a terceira vez que Lula foi ouvido como réu da Lava Jato. A primeira foi em 10 maio de 2017, a segunda, em 13 de setembro. Em ambas as audiências foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro.

No processo do sítio de Atibaia, Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A força-tarefa da Operação Lava Jato sustenta que o petista foi beneficiário de R$ 1,02 milhão, supostamente repassados pelo pecuarista José Carlos Bumlai e pelas empreiteiras Odebrecht e OAS, na forma de melhorias da propriedade rural localizada no interior de São Paulo que seria de uso do ex-presidente.

Ele foi interrogado por Gabriela Hardt, que assumiu as ações penais da Lava Jato em Curitiba. Moro deixou a operação e se desligou dos processos para assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

Assista a partir dos 19 minutos