‘Matou o cara’ (Lucas, 27, comerciante, é cercado por PMs e morre baleado)

‘Matou o cara’ (Lucas, 27, comerciante, é cercado por PMs e morre baleado)

Caso aconteceu no domingo, 20, à tarde, em uma rua da Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, e foi filmado e gravado por uma testemunha; Polícia Militar afastou soldados envolvidos

Jayanne Rodrigues

24 de fevereiro de 2022 | 15h53

Letícia Ariel, 23, esposa de Lucas, é a mulher que aparece de blusa roxa no vídeo tentando parar a briga. Foto: Reprodução/ internet

O comerciante Lucas Henrique Vicente, 27, foi morto a tiros durante uma abordagem da Polícia Militar de São Paulo. Imagens feitas por uma testemunha registraram a luta corporal. O homem aparece sobre um policial. Neste instante, outro policial golpeia Lucas com chutes. A mulher de Lucas tenta intervir na briga, mas leva um empurrão. Durante a confusão, outra viatura chega ao local. Em menos de 10 segundos após a chegada do reforço da PM, é possível escutar três disparos, seguidos de gritos e de uma voz ao fundo: “matou o cara.” O caso aconteceu em plena luz do dia, no último domingo, 20, na Rua São João de Sapucaia, região da Brasilândia, zona norte de São Paulo. 

“Ele estava sem camisa porque estava calor e acho que por isso que a polícia enquadrou a gente”, disse a esposa de Lucas, Letícia Ariel do Carmo, 23, em entrevista à TV Record. Acompanhado da mulher e dos dois filhos no carro, a família voltava para casa quando aconteceu a abordagem. Segundo Letícia, os PMs mandaram eles saírem do carro. Teve início uma discussão. “Eles começaram a agredir e foi essa confusão toda”, relata.

A mulher também afirmou ter sido ofendida pelos policiais ao tentar amenizar a situação. “[Ele dizia] Sai daqui, sua vagabunda, sai daqui sua desgraçada. Eu falei ‘não, solta ele, não mata ele’”. Lucas foi enterrado na terça-feira, 22, no Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha.

Lucas tinha passagem pela polícia por porte ilegal de arma e estava em livramento condicional do sistema prisional desde maio de 2020. A mãe do rapaz disse à TV Record que ele havia cumprido pelo crime que cometeu e estava recomeçando a vida. Ela ainda denunciou ter sido vítima de agressão pelos PMs quando foi até o filho após ele ser baleado.  “[Eles disseram] se a senhora se aproximar mais um pouquinho, eu vou prender a senhora. [Eu disse] ‘Não prende não, já mata porque você acabou de matar’. Ele me pegou e me jogou no chão”. Três policiais estão envolvidos no caso. 

A reportagem do Estadão ainda não conseguiu contato com a família de Lucas. 

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO

“A Polícia Militar esclarece que todas as circunstâncias do fato e a conduta dos policiais envolvidos na ocorrência são apuradas por meio de inquérito policial militar (IPM) sob a responsabilidade da Corregedoria da instituição. Na ocasião, o condutor foi informado que seria preso por constar como procurado pela Justiça por roubo. Diante disso, ele reagiu e entrou em luta corporal com os policiais, tomando a arma de um deles. Neste momento, houve a intervenção da equipe para contê-lo. Os PMs foram afastados até o término das investigações. O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa também investiga o caso.”

 

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