Marta tinha conhecimento de caixa 2 e acompanhava negociações, afirma João Santana

Marta tinha conhecimento de caixa 2 e acompanhava negociações, afirma João Santana

Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Beatriz Bulla e Fábio Fabrini

11 de maio de 2017 | 17h47

27 06 2016 SAO PAULO SP TV ESTADAO Marta Suplicy no Programa Entre Nos, do Eduardo Moreira, da TV Estadao. FOTO GABRIELA BILO / ESTADAO

O marqueteiro João Santana disse ao Ministério Público Federal que a hoje senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) tinha “pleno conhecimento” do uso de caixa 2 na sua campanha eleitoral à Prefeitura de São Paulo em 2008 – quando ainda era filiada ao PT. Na época, Marta também pediu que o seu então marido, Luis Favre, fosse contratado pela empresa de Santana, o que acabou acontecendo, de acordo com o delator.

Segundo Santana, o caixa 2 do PT, coordenado pelo ex-ministro Antonio Palocci, serviu para pagar dívidas das campanhas de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo e da hoje senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) à Prefeitura de Curitiba, ambas em 2008.

“Nos dois casos, com pleno conhecimento das candidatas. Marta Suplicy, inclusive, tinha um papel mais direto do que Gleisi na gestão financeira da sua campanha. No caso de Marta, a candidata acompanhava passo a passo todas as negociações financeiras”, diz o anexo da delação premiada do publicitário, tornado público nesta quinta-feira (11).

“Na época, Marta era ministra do Turismo do governo Lula. Ela, inclusive, trouxe Palocci a tiracolo para a primeira reunião que fizemos, em São Paulo, quando me convidou oficialmente para fazer o marketing de sua campanha. E depois tivemos outra reunião, em Brasília, também com a presença de Palocci”, narra o delator.

De acordo com Santana, além da “ligação histórica” de Marta Suplicy com o PT na época, seria estratégico para “o projeto de poder petista” a conquista da Prefeitura de São Paulo, que era comandada por Gilberto Kassab. Naquela eleição, Kassab acabou sendo reeleito no segundo turno, derrotando Marta.

Marido. No anexo de sua delação premiada, João Santana contou ao Ministério Público Federal sobre a contratação do então marido de Marta Suplicy pela sua empresa. Marta e Favre acabaram se divorciando em 2009.

“Marta fez um pedido curioso na época: que nossa empresa contratasse o então marido dela, Luis Favre, que precisava de emprego regular por ser estrangeiro. Que não nos preocupássemos com o custo disso porque seria compensado na verba não oficial da campanha. Palocci reforçou este pleito”, diz o anexo da delação de Santana.

De acordo com Santana, Luis Favre foi contratado com um salário de cerca de 20 mil mensais – a moeda não é especificada no anexo. “Seu contrato durou aproximadamente um ano, perdurando vários meses após a campanha, sem que nunca trabalhasse para nós. Marta disse, inclusive, que não nos preocupássemos com isto porque o currículo de Favre nos permitiria dizer que ele prestava consultoria em nossas campanhas internacionais”, disse o delator.

Segundo Santana, Palocci “honrou o compromisso”, pagando parte do dinheiro em espécie e o restante em uma conta no exterior.

COM A PALAVRA, A SENADORA MARTA SUPLICY

“Estou indignada. É uma mentira deslavada, certamente motivada para envolver o maior número de pessoas com um único objetivo: ter o que barganhar para obter impunidade nos crimes em que são acusados. Jamais participei ou tive conhecimento de negociações ilegais. Minha conduta sempre foi e está baseada nos princípios éticos que norteiam toda a minha vida.

Marta Suplicy, senadora”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO PALOCCI

O advogado do ex-ministro Antonio Palocci, José Roberto Batochio, considerou “temerário comentar depoimento cujo teor ainda não se conhece em detalhes”. “Não é desconhecido de ninguém o fato de que, em alguns lugares do Brasil, se encarceram pessoas, antes de sua condenação, para se lhes arrancarem delações que incriminam terceiros. Uma espécie de Guantánamo meridional”, afirmou.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.