Marketing jurídico autorizado. E agora?

Marketing jurídico autorizado. E agora?

Ruy Conde e Fernanda Pinheiro*

25 de julho de 2021 | 06h30

Fernanda Pinheiro e Ruy Conde. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil aprovou o novo provimento sobre regras de publicidade para a advocacia. Uma vitória importante para a classe, tendo em vista que o antigo regramento era extremamente subjetivo e deixava brechas para que cada seccional tivesse um entendimento de como proceder. E, ainda assim, eram necessárias interpretações minuciosas por parte dos advogados para não correrem o risco de infringir o Código de Ética da OAB.

A propagação de conteúdo por meio das ferramentas de impulsionamento e patrocínio disponíveis nas redes sociais e no Google são algumas das inovações trazidas. No entanto, é preciso estar atento, pois isso não significa que poderão sair contratando agências para fazer campanhas publicitárias e outdoors agressivos. Os limites impostos pelo código de ética em ralação aos conteúdos gerados se mantêm. O cunho meramente informativo, sem excessos, e 100% contrário à mercantilização dos serviços prestados ainda é exigido. Além disso, continua vedado também o uso excessivo de recursos financeiros.

Nesse contexto, a geração de conteúdo de qualidade, e de forma constante, continua sendo protagonista para que o profissional se posicione efetivamente e colha frutos. A estratégia de construção de autoridade e referência só vai ser atingida se houver conteúdo de relevância que chegue ao público-alvo a ser atingido pelo jurista. A possibilidade de pagar para propagar informação só ganhará o alcance desejado se houver um planejamento estratégico de comunicação direcionado e bem definido.

Primeiro é preciso entender o seu negócio, saber seus objetivos a médio e longo prazos e traçar metas a serem alcançadas. Superado isso, é preciso gerar conteúdo de qualidade e de maneira frequente. Afinal, quem não é visto, não é lembrado.

A geração de conteúdo pode ser feita por meio de participações em matérias jornalísticas sobre temáticas jurídicas que sejam pertinentes aos objetivos traçados, pela publicação de artigos de opinião, ou compartilhamento de informações relevantes nas redes sociais. A ideia é que, por meio dessa atuação informativa e opinativa sobre as respectivas especialidades, o advogado se posicione para o mercado e passe a ser visto e reconhecido como autoridade naquele determinado assunto.

Por isso, não acredite em “promessas milagrosas”. O impulsionamento e patrocínio em Ads têm que, necessariamente, estar alinhados a um planejamento estratégico de comunicação. De nada adianta todo o esforço da caneta em escrever, se o papel não quer absorver a tinta.

*Ruy Conde é jornalista, especialista em comunicação estratégica e sócio da ItPress Comunicação

*Fernanda Pinheiro é publicitária e jornalista, especialista em marketing e sócia da ItPress Comunicação

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