Mariz renuncia à defesa de Temer por ‘incompatibilidade legal e moral’

Mariz renuncia à defesa de Temer por ‘incompatibilidade legal e moral’

Famoso criminalista deixa as causas em que presidente, seu amigo, é formalmente acusado pela Procuradoria-Geral da República e investigado pela Polícia Federal

Fausto Macedo / SÃO PAULO e Fábio Serapião / BRASÍLIA

29 Dezembro 2018 | 11h23

Michel Temer e Antônio Claudio Mariz de Oliveira. FOTOS: DIDA SAMPAIO E KEINY ANDRADE/ESTADÃO

O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira renunciou à defesa do presidente Michel Temer. A decisão foi tomada pelo famoso advogado em consonância com o presidente. Os dois vinham conversando já há algumas semanas e chegaram a um entendimento sobre a renúncia do advogado.

Impedimento legal e ético é o motivo da saída de Mariz.

Temer é alvo de três acusações formais da Procuradoria-Geral da República e de mais cinco inquéritos em curso na Polícia Federal.

O impedimento surgiu a partir do momento em que foram arroladas testemunhas de acusação contra Temer que o próprio Mariz já havia defendido em outras ações. Uma delas é o doleiro Lúcio Funaro, delator do presidente.

Um dos processos mais delicados que o emedebista enfrenta é o decorrente do inquérito dos Portos – acusado de supostamente pegar propinas de empresas do setor portuário em troca de um decreto editado em maio do ano passado.

Desde que Temer virou alvo do cerco da Procuradoria e da PF, inclusive no episódio da delação do empresário Joesley Batista, do grupo J&F, após a emblemática reunião no Jaburu, Mariz vem se empenhando na defesa do presidente. Eles são amigos há muitas décadas.

Mariz protagonizou capítulo fundamental da defesa do emedebista no célebre embate na Câmara, quando duas denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot foram enterradas.

A reportagem do Estado apurou também que, ao longo desse período, Mariz se sentiu incomodado com intromissões de aliados de Temer. O criminalista não admite ingerências em seu método de trabalho e nas teses que defende. Mas, pessoas próximas do presidente vinham reiteradamente se manifestando sobre as investigações, o que causou desgastes.