Marco Aurélio diz que não teme ser hackeado: ‘Não tenho diálogos fora do processo com as partes’

Marco Aurélio diz que não teme ser hackeado: ‘Não tenho diálogos fora do processo com as partes’

Ministro do Supremo disse que Sérgio Moro não é vocacionado ao cargo de juiz

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

13 de junho de 2019 | 15h21

Ministro Marco Aurélio durante sessão do STF. Foto: Fellipe Sampaio /SCO/ST

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira (13) que não teme ser alvo de ataques de hackers, pois não utiliza o celular para conversar com as partes envolvidas em processos.

“Eu falo muito pouco ao telefone, muito pouco mesmo. Pelo WhatsApp, troco mensagens”, disse Marco Aurélio a jornalistas, ao chegar para a sessão do plenário do tribunal.

Indagado se não temia ser alvo de hackers, o ministro respondeu: “Não, eu sou um cidadão, sou homem público, devo contas aos contribuintes. Não tenho nada a esconder. E não mantenho diálogos fora do processo com as partes.”

Perfil

Marco Aurélio voltou a fazer críticas nesta quinta-feira ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. O site “The Intercept” Brasil publicou o conteúdo vazado de supostas mensagens trocadas pelo então juiz federal Sergio Moro, e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. As conversas mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato em mensagens trocadas por meio do aplicativo Telegram.

“Antes desse problema todo, que enxovalhou o perfil dele, eu disse lá atrás que ele (Moro) era não era vocacionado ao cargo de juiz. Mantenho (a convicção). Ele virou as costas à cadeira sem estar numa família rica. Se fosse de família muito rica, eu admitiria que ele deixasse a cadeira para ter o ócio com dignidade, mas não é”, criticou Marco Aurélio Mello.

Indagado pelo Estadão/Broadcast Político se a divulgação das mensagens poderia influenciar o julgamento marcado para o fim deste mês em que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusa Moro de ser parcial, o ministro respondeu: “A gravidade… mas não sei a consequência, porque o fato consumado no Brasil , e refiro-me aí à condenação que já existe, tem uma força muito grande.”

A Segunda Turma do STF deve julgar no dia 25 de junho se Moro atuou com parcialidade ao condenar Lula no caso do tríplex do Guarujá. Marco Aurélio não vai participar da discussão do caso porque não integra o colegiado, e sim faz parte da Primeira Turma.

Na manhã desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que houve uma “quebra e invasão criminosa” no episódio e afirmou que a atuação de Moro enquanto cuidava dos casos da Lava Jato na Justiça Federal de Curitiba “não tem preço”.

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