Márcio Thomaz Bastos

Por Ricardo Galhardo*

Redação

20 de novembro de 2014 | 15h00

Márcio Thomaz Bastos nasceu em 1935 na cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba. Filho de família abastada, seu pai, José Diogo Bastos, era médico e líder político ligado ao ex-governador de São Paulo Ademar da Barros, conhecido pela alcunha “rouba mas faz”, por quem foi nomeado secretário do Interior, presidente da Caixa Econômica Estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), na década de 1960.

Em 1958 Thomaz Bastos recebeu o diploma de bacharel pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco e voltou para Cruzeiro, onde montou um escritório e tentou seguir os caminhos do pai na política. Eleito vereador mais votado da cidade pelo PSP (Partido Social Progressista), de Ademar de Barros, em 1963, Bastos participou com o pai, em março do ano seguinte, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade contra o governo João Goulart, em São Paulo. Na Câmara de Cruzeiro, chegou a fazer um pronunciamento favorável ao golpe militar que derrubou Jango duas semanas depois da marcha. Com a cassação dos partidos políticos pela ditadura, em 1964, não se filiou nem à Arena, partido dos militares, nem ao MDB, legenda de oposição.

Depois de exercer o mandato de vereador, em 1968, Thomaz Bastos se instalou em um modesto escritório de advocacia especializado em direito criminal em São Paulo e na década seguinte consolidou sua reputação como um dos mais atuantes juristas do Estado. Foram dezenas de júris na Capital e no interior, vários deles com ampla cobertura da imprensa. O ápice foi em 1984, quando atuou como assistente da acusação no julgamento do cantor Lindomar Castilho, acusado de assassinar sua mulher, Eliane de Gramont, em um crime passional que mobilizou a opinião pública nacional.

Àquela altura Thomaz Bastos já havia migrado de campo no espectro político. Durante o período de ascensão, na década de 1970, o advogado foi eleito conselheiro da sessão paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma das entidades mais combativas em defesa da volta da democracia. Uma de suas tarefas era percorrer o interior paulista em busca de novos associados. Entre seus parceiros estavam o também ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, advogado de presos políticos durante a ditadura militar. Em 1979 Thomaz Bastos teve seu primeiro encontro com o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. A aproximação entre os dois foi rápida e colocou o advogado pela primeira vez no centro do debate político nacional.

Levado por Lula, Thomaz Bastos passou a integrar o núcleo de advogados da histórica campanha pelas Diretas Já, em 1983. Em 1988, foi eleito presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e teve participação decisiva na Assembleia Constituinte daquele ano. Dois anos depois, voltou a atuar como assistente de acusação, agora no julgamento dos assassinos do líder ambientalista Chico Mendes. No ano seguinte foi o coordenador jurídico da campanha de Lula à Presidência e desde então passou a dividir o tempo entre as causas criminais de seu escritório e a advocacia engajada junto ao PT e movimentos sociais ligados ao partido.

*Ricardo Galhardo é repórter de O Estado de S. Paulo

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