Ouça a ‘Marchinha do Laranja’, para o Queiroz dos Bolsonaro

Ouça a ‘Marchinha do Laranja’, para o Queiroz dos Bolsonaro

Ouça a música que o grupo de rock Zebra Zebra compôs em 'homenagem' ao ex-assessor do senador eleito Flavio Bolsonaro (PSL)

Luiz Vassallo / SÃO PAULO e Fabio Serapião / BRASÍLIA

22 Janeiro 2019 | 05h00

“Toma, toma vitamina C, pra não ficar doente e falar com o MP.” Em 2019, Fabrício Queiroz, homem de confiança do clã dos Bolsonaro, se uniu a Dilma, Temer, Lula, Gilmar e Newton Ishii, o ‘japonês da federal’, no time de homenageados em marchinhas de carnaval sobre a política e investigações.

Composta pela banda de rock Zebra Zebra, a ‘Marchinha da Laranja’ foi lançada na manhã desta segunda-feira, 21. O grupo, que nasceu em 2007 e tem dois álbuns gravados, transita do samba rock ao hardcore.

“Hey presidente / um presente eu vou te dar./ Se tu gosta de laranja/ Toma um saco pra chupar”, diz a música, composta pelo guitarrista e vocalista da banda, Kennedy Lui. “Além não só das músicas, a gente gosta de se posicionar nos shows. Por mais que tenha se perdido no Brasil essa coisa da banda de rock se posicionar, quer continuar  tendo essa postura para dar sentido, uma banda de rock não ser apenas uma onda sonora e sim uma onda de pensamento também”, afirma.

Reprodução do vídeo clipe da Marchinha do Laranja

“Queiroz! Queiroz! Queiroz!”, clama ‘Marchinha do Laranja’, que ainda ironiza a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, que suspendeu as investigações acolhendo pedido da defesa do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), que empregou Fabrício Queiroz em seu gabinete à época em que ocupava o cargo de deputado estadual no Rio. “Fica tranquilo /isso daí tem que acabar./Nós fechamo (sic) com o Supremo / Ninguém mais vai se explicar”.

O ex-motorista homenageado pela canção sofreu devassa do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Queiroz justifica que a bagatela encontra lastro na compra e venda de carros usados. “‘Sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro'”, a declaração, feita ao SBT, permeia trechos da marchinha de carnaval, mas não convenceu o compositor.

“Conheço todas as gerações da minha família, amigos, todo mundo trabalhando muito e não conseguindo movimentar um milhão e pouco, sete milhões, então não acredito e não acredito na justificativa do Flávio também”, disse o músico.

Política e carnaval. Queiroz se uniu a outros agentes da política e do Judiciário que caíram na boca dos foliões. No fim de 2015, ano em que a Operação Lava Jato colocou atrás das grades grandes políticos e empresários, como Marcelo Odebrecht, José Dirceu e João Vaccari Neto, o advogado e compositor Thiago Vasconcellos de Souza lançou o ‘japonês da federal’, em homenagem ao agente Newton Ishii, conhecido por escoltar os presos para a Polícia Federal de Curitiba. “Aí meu Deus/ me dei mal/ bateu à minha porta/ o Japonês da Federal!”, diz o refrão.

Em 2016, até máscaras do agente da federal os foliões usaram, enquanto entoavam nas ruas a marchinha de Vasconcellos. Ele ainda compôs outras duas canções de carnaval. “Tia Wilma e a bicicleta” fazia alusão às pedaladas fiscais, argumento sobre o qual se embasou o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “A tia Wilma pedalou por todo mundo/E agora já não tem pra onde ir/ Cuidado tia Wilma, não se canse/ É bom descansar pra não cair”.

A derrocada de Dilma no Planalto ainda inspirou Vasconcellos a compor “Meu latim, com você não gasto mais/Está tudo acabado, aqui jaz…/Nosso amor virou rancor/ Não me escreva nunca mais”. A marchinha se refere à carta ‘vazada’ em que o então vice-presidente Michel Temer rompia com a petista.

Em janeiro do ano passado, foi a vez de Gilmar Mendes. “Alô, alô, Gilmar./Eu tô em cana, vem me soltar/ Eu roubei, eu roubei, eu roubei/ Não estou preso à toa, mas no mundo não há quem escape de uma conversinha boa.” Disparou nas redes sociais a marchinha, de autoria do veterano carnavalesco João Roberto Kelly, criador de grandes sucessos dos salões, como ‘Cabeleira do Zezé’ e ‘Mulata iê-iê-iê’.

Em 2018, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cumprir pena de 12 anos e 1 mês no caso triplex também virou canção, apesar de o petista ter sido encarcerado após o carnaval, em abril. “Tio Lu dançou/ Eu tô com dó/mas juro que visito tio lu lá no xilindró/”.