Marcelo Odebrecht centralizou autorização de propinas de 2006 a 2008, diz delator

Marcelo Odebrecht centralizou autorização de propinas de 2006 a 2008, diz delator

Chefão do setor de propinas relatou que herdeiro do grupo não tratava assunto de corrupção no telefone e que reuniões em sua sala eram feitas sem anotações

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

25 de abril de 2017 | 05h01

organo setor propinas

O chefão do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht Hilberto Mascarenhas da Silva Filho afirmou que o empresário Marcelo Odebrecht, antes de assumir o posto máximo do grupo, de diretor-presidente, concentrou por três anos as autorizações de pagamentos de propinas e caixa 2.

“De 2006 a 2008, essas aprovações eram feitas por Marcelo Odebrecht, 100%”, afirmou o delator, ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba.

“Todo pagamento?”, questionou Moro.

“Todo, por regra, era feito por Marcelo”, respondeu Hilberto Silva, um dos 78 delatores da Odebrecht, ouvido na Justiça, no início do mês.

Ouvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na ação contra a chapa presidencial Dilma/Temer de 2014, Hilberto Silva havia detalhado como eram os encontros de autorização de Marcelo.

“Dá um pulo aqui na minha sala! Aí eu ia lá e ele… porque ele não falava por telefone”, explico o delator. “Sempre pessoalmente e nunca anotava nada, nem ele, nem eu”

HILBERTO MARCELO AUTORIZAVA SEMPRE PESSOALMENTE DA SALA DELE NINGUEM ANOTAVA

 

 

Fluxograma. O delator detalhou qual era o fluxo padrão da corrupção na Odebrecht. Entre 2006 e 2014, o Setor de Operações Estruturadas movimentou US$ 3,3 bilhões de propina e caixa 2, no Brasil e fora.

“O fluxo de solicitação era: o necessitado, (executivo) que precisava do dinheiro para pagar, solicitava ao líder dele, que solicitava ao líder empresarial, que combinava com Marcelo ou pelo menos defendia junto a Marcelo a necessidade disso, e Marcelo aprovava.”

Era após essa liberação que a solicitação era encaminhada para Isaias Ubiraci Chaves, que fazia a requisição que era enviada ao departamento de propinas. Isaias não era funcionário da Odebrecht, mas exercia função de confiança de Marcelo.

“Era uma requisição. Se não tivesse aprovado por Marcelo ele não dava sequência. Ubiraci chama-se o verdadeiro cão de guarda. Não passava, não tinha como. Duas coisas que ele não deixava: sair um ordem se a conta corrente do cara estivesse negativa ou passar uma solicitação de pagamento dele para mim que não tivesse sido aprovada por Marcelo.”

À partir de 2009, com o aumento do fluxo dos recursos, Hilberto afirmou que os 11 líderes empresariais, que era segundo andar na hierarquia do grupo – abaixo apenas do diretor-presidente, Marcelo -, passaram a ter autoridade para liberar os pagamentos.

Os líderes empresariais são os executivos principais do grupo,a baixo de Marcelo, o direto-presidente. No começo, eram seis líderes empresariais: Benedicto Barbosa da Silva Junior, Henrique Valladares, Luiz Mameri, Euzenando Azevedo, Carlos Fadigas e Fernando Reis.

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