‘Marcar ponto’ é o futuro

Daniel Godoy*

30 de agosto de 2021 | 04h30

Não é novidade que as relações de trabalho estão passando por uma verdadeira revolução devido às inúmeras mudanças provocadas pela aceleração da transformação digital de diversos mercados, muito impulsionado também pela pandemia ocasionada pelo coronavírus, mas os departamentos de RH e administradores das organizações têm se perguntado: ‘como fazer a gestão de tempo dos meus colaboradores?’

Mesmo em uma situação nova, esse é um questionamento antigo. O relógio de ponto tradicional foi criado em 1888 em Nova York, por um joalheiro chamado Willard Le Grand Bundy, com o objetivo de controlar o horário e a produtividade dos seus funcionários.

O dispositivo evoluiu em seu propósito e funcionalidade, uma vez que o processo se modernizou e a função tende a ir além na questão de produtividade, já que os profissionais de RH utilizam o sistema para o desenvolvimento de relatórios ligados a controle de faltas, afastamentos, folgas, banco de horas, entre outras funções.

Tais mudanças foram instituídas em muitos processos que vão desde às consolidações das leis de trabalho, o regime CLT, que já estipulava regras para o controle da jornada destes funcionários, entretanto, não havia especificações sobre qual sistema seria; até a Portaria 1510, conhecida como Lei do Ponto Eletrônico, que institui normas e obrigações para a adoção de sistemas de registro eletrônico na jornada dos funcionários.

Todavia, em quase 80 anos de história da CLT, ninguém pensou na possibilidade de haver uma pandemia, que obrigaria uma mudança de regime de trabalho rápida e em massa, de praticamente todos os setores da economia, em alguma instância. Outro ponto a se questionar é de que, a maioria das pessoas são controladas por tempo de trabalho e não por produtividade. Pode parecer antiquado, mas é a realidade de muitas empresas.

Remunerar as pessoas por produtividade sempre é o melhor caminho a seguir. Infelizmente, a maioria das profissões não permite esse modelo de trabalho. As leis trabalhistas são bem atrasadas, mas sempre é possível inovar nas áreas mais engessadas.

*Daniel Godoy, fundador do Apponte.me

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