Mar de desfaçatez

Adriano Alves-Marreiros*

10 de janeiro de 2020 | 04h30

Mensagem talvez tenha sido a obra mais icônica do grande poeta Fernando Pessoa e evoca, dentre outras coisas, a grandeza do Portugal das Grandes Navegações. Diante do que hoje acontece no Brasil, nos resta apenas fazer uma paródia de “Mar Portuguez”(1) que, a par de não ser lírica por falta de um real poeta, evoca a pequeneza das Estranhas Legislações:

Mar de desfaçatez

                                               Adriano Alves-Marreiros

 

Oh, país errado, quanto do seu mal

Vem do “garantismo” penal?

Por não prendermos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram,

Quantas noivas ficaram por casar (2)

Só pra se desencarcerar?

Valeu a pena? Tudo vale a pena.

Se a sanção é tão pequena…

Quem quer soltar corrupto e matador

Vai provocar muita dor…

Ao legislar, ao bandido alento se deu:

Mas a vítima se perdeu…

(Ah, você achou infame a paródia? Pois mais infame é a Bandidolatria e o Laxismo da legislação penal e processual brasileira e dos seus arautos…)

(1) Portuguez com “z”, mesmo: no original de Pessoa.

(2) Estes últimos versos não precisaram, mesmo, ser adaptados: os originais expressavam perfeitamente o Democídio brasileiro)

*Adriano Alves-Marreiros, promotor de Justiça Militar, Mestre em Direito e membro do MP Pró-Sociedade e Movimento de Combate á Impunidade

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