Mantega nega encontro e pedido de R$ 5 mi para Eike

Mantega nega encontro e pedido de R$ 5 mi para Eike

Advogado de defesa diz que ex-ministro da Fazenda, preso e solto nesta quinta, 22, na Operação Arquivo X, afirma que 'jamais tratou com empresário sobre dívidas de campanha'

Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho

22 de setembro de 2016 | 13h07

Guido Mantega. Foto: Evaristo Sá/AFP

Guido Mantega. Foto: Evaristo Sá/AFP

O criminalista José Roberto Batochio, defensor de Guido Mantega, disse nesta quinta-feira, 22, que o ex-ministro da Fazenda ‘nega peremptoriamente qualquer tipo de diálogo com o empresário Eike Batista’.

Segundo Batochio, o ministro Mantega afirmou a ele que ‘nunca conversou’ com Eike.

O ex-ministro foi preso com base na acusação do empresário que afirma ter repassado US$ 2,3 milhões para o PT a pedido de Mantega.

Nesta quinta, o ex-ministro foi capturado pouco antes de 7 horas da manhã no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde acompanhava a mulher em um procedimentoo cirúrgico.

Ele foi levado à sede da Polícia Federal, mas nem chegou a depor. Seria transferido para a PF em Curitiba, base da Lava Jato, mas antes disso o juiz Sérgio Moro revogou a ordem de prisão temporária do ex-ministro.

“Não houve nenhum encontro com Eike. O ministro Mantega assegura que jamais tratou com o sr. Eike sobre contribuição de campanha, sobre pagamento de despesas eleitorais. Portanto, o depoimento desse empresário é absolutamente falso”, reagiu o criminalista José Roberto Batochio.

Na avaliação do advogado de Mantega, Eike Batista ‘percebeu que estava sendo investigado e, possivelmente, seria alcançado pela mão da Polícia Federal’.

“Então, procurou espontaneamente o Ministério Público Federal e fez um escambo, ‘se não me prenderem posso acusar alguém importante'”, afirma Batochio.

Eike não fez delação premiada, mas para Batochio o empresário agiu como colaborador em busca de benefícios.

O advogado fez uma ironia com o fato de, ao denunciar Lula por corrupção e lavagem de dinheiro, a Procuradoria da República classificou o governo do petista de propinocracia.

“Essa violência contra Guido Mantega mostra que a delação premiadocracia produz deformidades monstruosas. É preciso acabar com a delação premiadocracia ou vamos entrar numa conflagração social.”

“As liberdades individuais e as garantias pessoais estão sequestradas no Brasil e o cativeiro é o Paraná (sede da Lava Jato). Urge libertar as liberdades.”

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoGuido Mantega

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.