Mantega é levado para a sede da Polícia Federal em São Paulo

Guido Mantega, alvo central da Operação Arquivo X, será levado ainda hoje para Curitiba, sede das investigações de cartel e corrupção na Petrobrás

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

22 de setembro de 2016 | 09h20

Guido Mantega. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Guido Mantega. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Atualizado às 09h20 – O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo. Ele foi preso temporariamente nesta quinta-feira, 22, alvo central da 34ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Arquivo X.

O ex-ministro será levado ainda hoje para Curitiba, sede das apurações da Lava Jato, de avião.

O ex-ministro recebeu voz de prisão no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde acompanhava uma cirurgia da mulher, que luta contra um câncer. A prisão é temporária – de 5 dias, prorrogáveis por mais 5 – e foi decretada pelo juiz federal Sérgio Moro.

Pela manhã, ao buscar Mantega em sua residência, a PF descobriu que ele não estava e o delegado que conduz as buscas e a prisão decidiu não cumprir o mandado de apreensão de materiais. Depois de preso, a equipe da Lava Jato retornou à residência do ex-ministro, onde foram realizadas as buscas e apreensões.

Mantega é suspeita de cobrar propinas no esquema de corrupção da Petrobrás. O negócio investigado é o contrato para construção de duas plataformas de exploração de petróleo P-67 e P-70, em 2012, para as camadas do pré-sal, de consórcio formado pelas empresas Mendes Junior e OSX, do empresário Eike Batista.

A Mendes Jr teria transferido R$ 7 milhões de fevereiro a dezembro de 2013 para uma operador de propinas ligado à Diretoria de Internacional, da Petrobrás. Houve ainda o repasse de R$ 6 milhões do Consórcio Integra Offshore, em 2013, que podem ter abastecido o ex-ministro José Dirceu. E a cobrança de R$ 5 milhões do Grupo OSX para pagamento de dívidas de campanha do PT. Desse valor, foi efetivado o repasse de US$ 2,3 milhões, segundo a PF.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, DEFENSOR DE GUIDO MANTEGA:

O advogado José Roberto Batochio, que defende Guido Mantega, informou que ainda desconhece os motivos do decreto de prisão temporária do ex-ministro da Fazenda.
Batochio foi avisado logo cedo da presença da Polícia Federal na residência de Mantega, na rua Leão Coroado, no Alto de Pinheiros.

Por telefone, o criminalista conversou o ex-ministro, que estava no Hospital Albert Einstein, acompanhando a mulher que luta contra um câncer.

Batochio também conversou por telefone com o delegado da PF que comandava a equipe no encalço do ex-ministro.

O advogado recomendou a Mantega que aguardasse a PF na portaria do hospital.

“Vamos verificar qual é a imputação ao ministro Mantega para depois nos manifestarmos”, disse o criminalista. “Mas posso garantir que o ministro jamais pediu propinas ou recursos para partido político.”

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