Manifestantes tentam invadir STF, policial é ferido e gás lacrimogêneo circula no tribunal

Manifestantes tentam invadir STF, policial é ferido e gás lacrimogêneo circula no tribunal

Manifestantes protestam na Praça dos Três Poderes a favor da abertura da CPI da Lava Toga e pela 'moralização do STF'; grupo de pessoas vestidas de verde e amarelo tentou derrubar as grades que cercam a área externa do tribunal para invadir o edifício-sede do Supremo

Rafael Moraes Moura e Patrik Camporez / BRASÍLIA

25 de setembro de 2019 | 17h35

Grupo de pessoas vestidas de verde e amarelo tentou derrubar as grades que cercam a área externa do tribunal para invadir o edifício-sede do Supremo. Foto: Rafael Moraes Moura / Estadão

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) discutia um caso que pode abrir brecha para derrubar condenações da Operação Lava Jato, a Praça dos Três Poderes era tomada por um clima de confusão, uso de gás lacrimogêneo e correria na área externa da Corte, na tarde desta quarta-feira (25). Um grupo de manifestantes que apoia a Operação Lava-Jato e outro que pedia a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a partir para o confronto, mas o conflito foi imediatamente isolado pela Polícia Militar.

Por volta das 16 horas, nova tensão. Um grupo de manifestantes vestido de verde e amarelo tentou derrubar as grades que cercam a área externa do Tribunal, o que levou policiais a disparar gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. No meio da confusão, um policial militar foi ferido a pedradas, e teve que ser socorrido às pressas pelo departamento médico do STF.

O clima do lado fora do STF permaneceu tenso durante toda a tarde, com manifestantes dos dois grupos se provocando mutuamente e a polícia tendo que intervir a todo instante. Deputados federais e senadores de diversos partidos também estiveram na manifestação, que contou com caravanas de Goiânia (GO) e do entorno do Distrito Federal.

O gás lacrimogêneo dispersado por policiais chegou ao edifício-sede do STF, o que levou seguranças a fecharem às pressas as janelas do tribunal para tentar evitar a circulação da substância dentro das instalações da Corte.  O gás, no entanto, invadiu as dependências do tribunal, assustando visitantes e servidores que acompanham a sessão plenária do STF nesta tarde. Bombeiros chegaram a distribuir máscaras para o público.

Os seguranças também mantiveram por instantes as portas do plenário fechadas, para impedir que o gás lacrimogêneo chegasse ao local onde atuam os 11 ministros da Corte.

Manifestantes apoiadores da Operação Lava Jato fazem protesto colocando “sacos de dinheiro” na frente do STF durante o julgamento do pedido de habeas corpus de um ex-gerente da Petrobras que discute o direito ou não de o réu se manifestar na ação penal após as alegações dos delatores acusados no processo, e não no mesmo prazo. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Posicionamento. Por meio de nota, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que grupos antagônicos entraram em confronto” e disse que, num segundo momento, os manifestantes passaram a forçar as grades de contenção, hostilizando os policiais e atirando pedras e pedaços de paus com o intuito de ferir os militares.

“Um policial acabou ferido com uma pedrada em seu rosto, tendo sido necessária sua evacuação médica. Alguns manifestantes conseguiram pular as grades avançando em direção ao STF. Foi necessária a utilização de meios de dissuasão, a fim de conter a investida antidemocrática”, disse a PM.

Praça dos Três Poderes foi dominada por mensagens e cartazes pedindo o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O policial ferido foi encaminhado a um hospital, onde levou pontos no rosto. A Polícia Militar informou que a instituição é constitucionalmente encarregada pela garantia da lei e da ordem no DF e “repudia veementemente qualquer tipo de manifestação que extrapole os limites legais que regem as normas de boa conduta e cidadania”.

Procurado, o STF não se manifestou.

Manifestantes apoiadores da Operacao Lava Jato fazem protesto colocando “sacos de dinheiro” na frente do STF ante do julgamento do pedido de habeas corpus de um ex-gerente da Petrobras que discute o direito ou não de o réu se manifestar na ação penal após as alegações dos delatores acusados no processo, e não no mesmo prazo. Foto: Dida Sampaio / Estadão

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