Manifestações e suas (verdadeiras) convicções: onde está o rumo do mundo?

Manifestações e suas (verdadeiras) convicções: onde está o rumo do mundo?

Roberto Dumas*

07 de junho de 2020 | 10h00

Roberto Dumas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Essas manifestações pro-democracia, antirracismo parece ter uma única raiz: Uma pior distribuição de renda. Chile, EUA, Europa, Brasil. Todos. Há de se desmistificar o welfare state como muitos defendem agora, dado que a inequidade de renda desde o ano 2000 tem sido resultado da falta de capitalismo, e não o causador dessa ruptura de bem estar das nações, como deveria funcionar uma economia liberal.

O termo Welfare State, em português, é traduzido como estado de bem estar social. Para entender melhor, Welfare são políticas sociais que responsabilizam o estado por promover serviços públicos básicos e essenciais para população. Isto é, educação, saúde pública, moradia, manutenção da renda e seguridade social. Ou seja, welfare é um conjunto de assistências sociais.

Erra de forma crassa quem defende o welfare state a qualquer custo, pois ignora os malefícios que as autoridades monetárias tem causado em relação a distribuição de renda. Com suas emissões frenéticas de recursos, para limitar o contorcionismo da economia real pós estouro de uma bolha de ativos, e a decrescente utilidade marginal que esses afrouxamentos monetários suscitam na economia real, apenas contribuem para que novas bolhas de ativos sejam formadas, o que acaba por cimentar ainda mais a inequidade de renda da população. Sim, pois apenas os mais abastados encontram caminhos ou conhecem como alocar seus recursos em momentos de abundância de dinheiro.

Quando essas bolhas estouram e acabam afetando a economia real de forma perversa, infelizmente os que mais sofrem são aqueles que não participaram da festa ou os menos privilegiados.

Antes de atacar ingenuamente a consequência de uma crise, há sempre que se avaliar suas causas, pois o remédio para resolve-las poderá apenas retroalimentar mais ainda a desigualdade de renda no futuro.

Infelizmente, as autoridades monetárias que querem  controlar os efeitos contracionistas de uma crise, parece plantar as sementes da próxima bolha e seu estouro, fomentando assim uma maior desigualdade social. Isso tem ocorrido desde o ano 2000. Desde o ano mencionado, a renda dos 10% mais ricos do mundo aumentou, graças as generosas emissões de dinheiro advindas das principais autoridades monetárias do mundo. Dinheiro esse que cada vez mais se aloca nas bolsas, ao invés de na economia real. Como culpar o capitalismo se o próprio estado acaba aumentando a desigualdade social no mundo?

*Roberto Dumas é economista, professor do Insper e Ibmec, Mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra, Mestre em Economia Chinesa pela Universidade de Fudan (China)

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