‘Mamãe disse pra Cleide que vai dar R$ 100 se conseguir 50 votos pro Aécio’, diz filha de empreiteiro

‘Mamãe disse pra Cleide que vai dar R$ 100 se conseguir 50 votos pro Aécio’, diz filha de empreiteiro

PF recuperou mensagens em tom de brincadeira no WhatsApp de Otavio Azevedo, da Andrade Gutierrez, e suas filhas na véspera das eleições presidenciais de 2014 em que o tucano foi derrotado por Dilma

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

19 de julho de 2016 | 11h00

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Crime previsto na legislação eleitoral, a compra de votos é motivo de brincadeiras para a família do segundo maior empreiteiro do País, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques Azevedo.  Em um diálogo no whatsapp com suas filhas no dia 17 de outubro de 2014, a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, ele e sua família, apoiadores públicos da candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência em 2014, chegam a sugerir, em tom de brincadeira, a compra de votos em favor do tucano.

“Mamãe ligou pra Cleide hoje e disse pra ela que vai dar R$ 100 pra ela caso ela consiga 50 votos pro Aécio!!! kkk”, diz uma das filhas do executivo. Ao que outra responde:

“Eu tenho uma oferta melhor”. Antes de comentar sua “proposta” porém, ela é interrompida por Otávio Azevedo:

“Crime eleitoral, pode impugnar o Aécio se vazar”, diz o pai. A segunda filha, contudo, já havia escrito a mensagem:

“Eu dou R$ 50.000 pra mamãe se ela conseguir fazer a Raquelzinha filha da Constança votar no Aécio!!!”

A CONVERSA DA FAMÍLIA AZEVEDO SOBRE COMPRA DE VOTOS PARA AÉCIO:

otaviocompravotos

A primeira filha, por sua vez, responde ao empresário e diz que era apenas uma brincadeira, ao que ele responde: “É lógico que sim, eu estava do lado dela quando ela falou! Fique tranquila, foi gozações (sic)”

Pego na Lava Jato, Otávio Azevedo fez acordo de delação premiada e revelou em detalhes a atuação de uma das maiores empreiteiras brasileiras em esquema de corrupção na Petrobrás, no setor elétrico e até em obras da Copa do Mundo. Atualmente ele cumpre prisão domiciliar. Sua empresa também fez um acordo de leniência no qual aceitou devolver R$ 1 bilhão e revelou a atuação do cartel de empreiteiras em vários setores da economia brasileira.

Em sua residência na capital paulista, a Polícia Federal apreendeu no ano passado sete aparelhos celulares, que revelaram em detalhes os contatos e o dia-a-dia do empreiteiro com o mundo empresarial e político, além de mensagens que mostram o apoio de seus familiares mais próximos ao candidato tucano que acabou sendo derrotado nas eleições de 2014.

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