Maluf tem doença grave, mas pode ficar na Papuda, diz IML

Maluf tem doença grave, mas pode ficar na Papuda, diz IML

Laudo 52111,do Instituto Médico Legal de Brasília, produzido na sexta-feira, 22, conclui que deputado, condenado a 7 anos, nove meses e dez dias de prisão por lavagem de dinheiro, não precisa de 'cuidados contínuos que não possam ser prestados' na Penitenciária da capital, 'todavia, deverá ter acompanhamento ambulatorial especializado'

Breno Pires, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

26 de dezembro de 2017 | 15h59

Laudo 52111, do Instituto Médico Legal de Brasília, conclui que o deputado federal Paulo Maluf (PP/SP) não precisa de ‘cuidados contínuos que não possam ser prestados’ no Complexo Penitenciário da Papuda. “Todavia, deverá ter acompanhamento ambulatorial especializado.”

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Documento

O documento, assinado pelos médicos legistas Hildeci Jose Resende e Gustavo Edreira Neves – designados pela diretora do IML de Brasília, Cyntia Gioconda Honorato Sobreira -, constata que Maluf está acometido de doença grave. ” Periciando (Maluf) apresentando alterações degenerativas da coluna lombar e adenocarcinoma metastático de próstata.”

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Maluf está preso desde quarta-feira, 20, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo.

Na quinta, 21, o ex-prefeito de São Paulo entregou-se à PF em São Paulo.

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Na sexta, 22, ele foi removido para Brasília. Ao deixar a sede da PF, no bairro da Lapa, também ao entrar no bimotor que o levou para a capital federal, e ao entrar no IML para os exames, o ex-prefeito demonstrava dificuldades para caminhar, escorado em uma bengala.

A alertou para ‘graves problemas’ de saúde que Maluf enfrenta.

O deputado pegou condenação por lavagem de dinheiro que supostamente desviou dos cofres públicos quando exercia o mandato de prefeito de São Paulo (1993-1996).

O laudo 52111 foi elaborado pelo IML na sexta-feira, 22, quando Maluf chegou a Brasília, transferido da carceragem da Polícia Federal em São Paulo. No IML, o parlamentar foi submetido uma longa bateria de exames. Depois, foi removido para a Papuda, onde passou o Natal.

“Apesar de apresentar-se clinicamente bem no presente momento, existe a possibilidade de deterioração progressiva e até mesmo rápida do quadro clínico a depender do comportamento evolutivo do câncer de próstata”, alerta o documento oficial.
O capítulo ‘conclusão’, traz três quesitos ‘para indulto humanitário’.

A) O sentenciado está acometido de doença grave?

Resposta: Sim

B) A doença que o acomete é permanente?

Resposta: Sim

C) O sentenciado apresenta grave limitação de atividade e restrição de participação? Resposta: No momento, não.

D) O sentenciado exige cuidados contínuos que não possam ser prestados no estabelecimento penal?

Resposta: Não. Todavia, deverá ter acompanhamento ambulatorial especializado, vide discussão.

No capítulo ‘Histórico’, os legistas relatam.

“Atendido no IML em razão de determinação judicial contida no Ofício nº 32532/2017 da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal / TJDFT para ser submetido a perícia médica para fins de análise de prisão domiciliar humanitária.”

“Estão anexados ao pedido de Análise de Prisão Domiciliar documentos médicos (Laudos de Exames Complementares e Relatórios Médicos) que nos revelam a presença de doença degenerativa da coluna lombar, tendo sido submetido a infiltração local de corticoide e neocaína para controle álgico em 14 de dezembro de 2017; recidiva oligometastática de adenocarcinoma de próstata em região pré-sacral com realização de sessões de radioterapia entre 15 e 21 de agosto de 2017; cateterismo cardíaco realizado em fevereiro de 2017 demonstrando artéria coronária direita ocluída, porém com circulação colateral bem desenvolvida e ausência de outras lesões coronarianas obstrutivas significativas.”

“O periciando possui, ainda, Hipertensão Arterial Sistêmica leve controlada e incontinência urinária espontânea com uso contínuo de fraldas geriátricas. Refere ter sofrido um Infarto Agudo do Miocárdico há cerca de 20 anos, quando foi submetido a um cateterismo cardíaco.”

No capítulo ‘Descrição’, os legistas assinalam.

“Periciando (Maluf) submetido a exame físico geral com os seguintes achados: apresenta-se lúcido, orientado no tempo e espaço, discurso coerente, memória preservada e boa cognição.”

“Encontra-se em bom estado geral, eupneico, corado, hidratado, afebril ao tato, acianótico, anictérico.”

“Sinais vitais: frequência cardíaca 86 batimentos por minuto, pressão arterial 126 x 74 mmHg, frequência respiratória 12 incursões por minuto. À ausculta cardíaca observa-se ritmo cardíaco regular em 2 tempos, com bulhas normofonéticas e sem sopros.”

“À ausculta respiratória observam-se murmúrios vesiculares fisiológicos, sem ruídos adventícios.”

“O exame físico do abdome revela: cicatriz infra-umbilical mediana extendendo-se até a sínfise púbica, compatível com o histórico de prostatectomia radical pregressa informada.”

“Apresenta diástase dos músculos reto-abdominais. A palpação e percussão do abdome encontram-se normais, sem a presença de visceromegalias ou tumorações evidentes.”

“O exame dos membros inferiores revela a presença de discretas varizes superficiais e discreto edema maleolar bilateral com predomínio em tornozelo esquerdo.”

“Articulações de joelhos, quadril e tornozelos sem sinais flogísticos, sem crepitações e com mobilidade preservada.”
“Ao exame da coluna vertebral observa-se cifose dorsal, bem como presença de cicatriz mediana na região lombossacra com aproximadamente 7 centímetros.”

“Apresenta hiperestesia (dor) à palpação de ambas as pernas. Apresenta dificuldade para levantar-se da cadeira, marcha lentificada e discretamente claudicante à direita. Faz uso de órtese do tipo muleta canadense à direita.”

O capítulo ‘Discussão’ é dividido em três partes.

1) “O periciando apresenta alterações degenerativas avançadas da coluna lombar com comprometimento discal e foraminal, especialmente nos níveis L3-L4 com compressão das raízes nervosas de L3 e L4 à direita, causando lombociatalgia à direita com discreta perda de força muscular no membro homolateral. Tais alterações requerem alguns cuidados como: a manutenção do uso de medicamentos para dor neuropática e analgésicos já prescritos, uso de órtese do tipo muleta canadense para locomoção e um leito adequado para o seu problema de coluna, com objetivo de prevenir um agravamento do quadro.”

2) “A recidiva do adenocarcinoma de próstata, com infiltração tumoral na região pré-sacral, não causa sintomatologia no presente momento, conforme laudo médico do radioterapeuta (fl 457 dos Autos). Porém, o comprometimento de estruturas vasculares e nervosas poderá causar sintomatologia diversa, como dores pélvicas, agravamento de bexiga neurogênica, tromboses venosas e arteriais e até mesmo embolização tumoral. O comportamento tumoral e o prognóstico futuro exigem, assim, a avaliação de um especialista na área de oncologia urológica que determinará a periodicidade dos exames para seguimento da patologia (adenocarcinoma de próstata).”

3) “Apesar de apresentar-se clinicamente bem no presente momento, existe a possibilidade de deterioração progressiva e até mesmo rápida do quadro clínico a depender do comportamento evolutivo do câncer de próstata.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RICARDO TOSTO, DEFENSOR DE MALUF

O advogado Ricardo Tosto, que integra o núcleo de defesa de Paulo Maluf, disse que, desde o dia em que o deputado e ex-prefeito de São Paulo entregou-se à Polícia Federal em São Paulo – quarta-feira, 22 -, vem alertando sobre seu ‘grave estado de saúde’

Tosto destaca um trecho do laudo 52111, do capítulo ‘Discussão’, uma advertência expressa dos legistas. “Apesar de apresentar-se clinicamente bem no presente momento, existe a possibilidade de deterioração progressiva e até mesmo rápida do quadro clínico a depender do comportamento evolutivo do câncer de próstata.”

“A responsabilidade pelo dr. Paulo é exclusivamente do Estado”, protesta Ricardo Tosto, inconformado com a manutenção de Maluf na Penitenciária da Papuda. “Se algo acontecer com o dr. Paulo na prisão vai ser um escândalo. Ele enfrenta graves problemas, isso não é estratégia de defesa, não é brincadeira. O dr. Paulo está usando fraldão.”

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