Mais um ato intempestivo de Doria

Mais um ato intempestivo de Doria

Wagner Tadeu Silva Prado*

25 de agosto de 2021 | 06h15

Wagner Tadeu Silva Prado. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Logo pela manhã, vimos notícias dando conta de que o governador João Doria determinou o afastamento do Coronel PM Aleksander Toaldo Lacerda de suas funções, atual Comandante de Policiamento do Interior 7 (CPI-7), na região de Sorocaba.

O governador me parece não medir as consequências de seus atos, prejulgando e tomando medidas intempestivas, transparecendo um certo descontrole emocional. Já não bastasse outro fato determinando o afastamento de 31 policiais militares do 16º BPM/M no caso da morte de civis na comunidade de Paraisópolis no final de 2019, agora mais essa.

E ainda, talvez muitos se recordem quando ele chamou a atenção, ao vivo e em cores, do coronel Castilho, numa reunião com os coronéis da Polícia Militar em junho de 2019, apenas pelo fato do oficial anotar dados em seu celular funcional sobre aquela reunião com o comando da PM paulista. Expôs, na época, o coronel Castilho a um vexame nunca visto antes e praticado por um governador. Detalhe, a reunião não foi reservada e sim estava sendo transmitida pelas redes sociais. Disse ele na ocasião:

“Coronel, se quiser desligar o celular enquanto o governador estiver falando, agradeço. Se o senhor tiver algo urgente, pode sair da sala e usar o celular. Mas enquanto o governador estiver falando, por favor, preste atenção. Isso vale em relação ao seu comando.”

E agora, ao determinar o afastamento do coronel Aleksander de suas funções por expor sua opinião pessoal no seu perfil do Facebook, incentivando as pessoas a comparecerem na manifestação do dia 7 de setembro em prol do Brasil, acredito ter exagerado na dose mais uma vez.

Se o comando da PM entender que houve a prática de alguma transgressão disciplinar, que se instaure o devido processo legal, o acusado se manifeste e depois se aplique a pena, se assim for cabível.

Ao que se apresenta, foi punido sem defesa, sofrendo a aplicação da pena de afastamento de suas funções e eventual movimentação do CPI-7, seu local de trabalho. Além de alguns Ministros do STF não observarem a Constituição Federal em alguns aspectos, temos também um governador que abusa de seu poder, além de estarmos aguardando – sentados – o cumprimento de sua palavra sobre o tão esperado reajuste salarial da PM. Afinal, passou de simples promessa de campanha para compromisso de governo e restam apenas 16 meses para o término de seu mandato.

Literalmente, estamos parecendo uma Polícia de Governo e não mais de Estado como sempre fomos.

Aproveitando, 7 de setembro está chegando. Vamos comparecer em peso na Av. Paulista em defesa do nosso amado Brasil.

*Wagner Tadeu Silva Prado é coronel reformado da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP)

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