Mais estadistas, menos oportunistas

Mais estadistas, menos oportunistas

Marcos do Val*

31 de março de 2020 | 08h35

Marcos do Val. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em tempos de coronavírus, o Congresso Nacional tem dado provas de compromisso e responsabilidade com as medidas de combate à doença e de apoio a empresas e trabalhadores enquanto durar o confinamento. O tema tem sido colocado como prioridade absoluta nas pautas das sessões online, uma novidade da tecnologia que permite aos deputados e senadores deliberarem sobre as matérias virtualmente. Assim, evita-se o risco do contágio no ambiente fechado e congestionado dos plenários.

Outro fato relevante a ser considerado é que os projetos, apesar de terem origem no Executivo, são aprovados geralmente com o apoio unânime da Câmara e do Senado. Acima de partidos e de posições políticas, criou-se entre nós parlamentares a convicção de que precisamos nos unir na busca de soluções práticas e objetivas para os problemas gerados pelo vírus. No caso do projeto que criou o auxílio emergencial, por exemplo, os recursos liberados pelo governo federal, com o apoio do Legislativo, serão fundamentais para minimizar o sofrimento da população de baixa renda, que depende do trabalho informal muitas vezes precário para sobreviver.

Esse espírito de união deveria prevalecer também nas ações de enfrentamento da doença no dia a dia. Hoje, a opinião pública é bombardeada diariamente por informações desencontradas, que colocam de um lado o presidente da República e de outros os governadores de Estado, como se estivéssemos diante de estratégias antagônicas para conter a proliferação do vírus. Trata-se, a meu ver, de um falso dilema. É perfeitamente possível conciliar as medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial de Saúde e pelos infectologistas com os cuidados que se deve ter, ao mesmo tempo, para que as medidas preventivas não provoquem um colapso na economia. Acredito, sinceramente, que tanto o presidente da República quando os governadores agem de boa-fé e querem o melhor para os brasileiros…

Portanto, é chegada a hora do diálogo e do entendimento para conciliar orientações da União, dos Estados e dos Municípios. A clareza na estratégia a ser adotada pelo poder público no combate ao coronavírus facilitará a compreensão de todos e criará, pela ação do convencimento, uma barreira intransponível ao atual processo de expansão da doença. Isso será possível se as principais lideranças políticas do país deixarem de lado suas vaidades pessoais para focar, como objetivo principal, o controle rápido da pandemia e a retomada lenta e gradual da atividade econômica, como forma de preservar o trabalho e a renda das pessoas.

Será preciso também ter maturidade e equilíbrio para entender que algumas medidas preventivas adotadas pelo Ministério da Saúde, no combate à doença, devem valer para todo o país, mas que outras podem ser flexibilizadas em Estados e regiões onde não se justificam tecnicamente, em função da baixa densidade demográfica e do menor risco de contágio pelo vírus.

O momento é de pensar no interesse público em primeiro lugar. Situações de crise exigem a ação corajosa de políticos que se comportem como estadistas, e não como oportunistas!

*Marcos do Val, senador (Podemos-ES)

Tudo o que sabemos sobre:

Artigocoronavírus

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.