Maior rede hospitalar do Brasil se prepara para a covid-19

Maior rede hospitalar do Brasil se prepara para a covid-19

Mirocles Campos Véra Neto*

26 de março de 2020 | 04h00

Mirocles Campos Véra Neto. FOTO: DIVULGAÇÃO

As Santas Casas e hospitais filantrópicos representam a maior rede hospitalar do Brasil com 1.788 hospitais ativos, espalhados por todos os Estados e com 180.462 leitos e 15.974 leitos de UTI.

Essa rede, que já era responsável por mais de 50% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) no país e 70% da assistência de alta complexidade, sem dúvida seria estratégica para o enfrentamento da pandemia do coronavírus que começa a tomar escala geométrica e chegou em todos os cantos do país.

Nesse sentido, a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) está mobilizando a rede filantrópica de todo o Brasil para auxiliar o Ministério da Saúde no enfrentamento à doença.

Além de municiar e engajar a rede, através de suas federações estaduais, com informações e protocolos para atendimento da covid-19, nos últimos dias, as lideranças enfrentaram uma maratona de reuniões e planejamentos para desenhar um mapa dos Hospitais de Pequeno Porte (HPP) que poderão ofertar leitos de clínica médica para desafogar os leitos das instituições maiores, para atendimento dos pacientes acometidos pelo coronavírus. Esses hospitais poderão trabalhar em rede em cada região e ser de grande utilidade, ampliando a capacidade dos grandes centros e servindo como suporte regional em média complexidade.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pediu que a Confederação institua uma rede de fluxo de informações com suas Federações e hospitais para mapear leitos que possam atender aos pacientes com coronavírus também.

O setor protocolou ao presidente da República, Jair Bolsonaro, ofício pedindo a suspensão dos pagamentos das parcelas relativas aos financiamentos e operações de créditos dos contratos dos filantrópicos com as garantias dos valores de consignados ao SUS.

Estamos nos reunindo com a Caixa Econômica Federal para pressionar a liberação dos recursos do FGTS em favor dos hospitais que estão com seus processos pendentes, sofrendo com a burocracia, as exigências e a lentidão nas análises dos nossos pleitos.

Somamos forças com instituições que representam a saúde privada para discutir alternativas e ações que podem ser trabalhadas para minimizar o cenário extremamente preocupante de desabastecimento dos hospitais, em relação aos insumos tão necessários para garantia dos atendimentos aos pacientes do coronavírus e proteção dos nossos colaboradores nesta tão importante missão.

Nesse momento tão desafiador, os hospitais de grande porte se unem aos pequenos hospitais. Mais do que nunca, entendemos a importância de trabalhar em rede. A troca de informações, a busca coletiva por insumos e as estratégias para disponibilizar mais leitos de várias naturezas, para hierarquizar o atendimento e enfrentar a pandemia.

Para nossa grata surpresa, uma corrente do bem de empresas, empresários e pessoas físicas chega até nós ofertando auxílio e doações que são bem vindas e estão sendo organizadas para atender as entidades e regiões menos providas de recursos ou infraestrutura, priorizando as regiões onde há maior prevalência da doença.

Há mais de 900 municípios onde a Santa Casa ou hospital filantrópico é a única porta de atendimento e que, nesse momento, está se preparando para atender pacientes com suspeita da doença.

Todos os esforços desse Ministério são louváveis e, somados ao engajamento da população, com o isolamento social, deverão auxiliar nossas instituições para que tenham a capacidade de absorver os pacientes de modo gradual.

Como era de se esperar, as Santas Casas não fogem do combate e estão prontas, articuladas e solícitas às autoridades de saúde federal e estaduais para dar conta do recado.

*Mirocles Campos Véra Neto é presidente da CMB (Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas)

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