“Maior caso de DNA da Polícia Federal”, diz perito do caso Prosegur

“Maior caso de DNA da Polícia Federal”, diz perito do caso Prosegur

O trabalho foi possível por causa do trabalho conjunto entre os peritos de Foz do Iguaçu, responsáveis por fazer a perícia dos locais por onde os criminosos passaram, e o profissionais do laboratório de genética forense do INC

Fabio Serapião

27 Maio 2018 | 05h00

O perito criminal Geovani Rotta, do Núcleo Técnico-Científico (Nutec) da Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR), classifica o trabalho realizado para identificar os criminosos que participaram do assalto à empresa de transporte de valores Prosegur, em Ciudad del Este, no Paraguai, como o maior caso com uso de DNA da Polícia Federal.

Com cenas cinematográficas, o roubo terminou com pelo menos 19 carros incendiados nas redondezas da empresa, disparos de armas pesadas, como metralhadoras ponto 50 (capaz de abater helicópteros), além de explosões que derrubaram parte do prédio da Prosegur.

A empresa declarou oficialmente que o valor subtraído foi de US$ 11,7 milhões (cerca de R$ 38 milhões) em dinheiro em espécie – cédulas de dólares, reais e guaranis, a moeda paraguaia – e cheques. Só U$ 1,5 milhão (R$ 4,9 milhões) foi recuperado.

O Estado revelou, em março, que as amostrar de DNA recolhidas de vestígios achados em um cabo de barbeador, num gargalo de garrafa de cerveja, na bituca de um cigarro, numa toalha e em uma xícara levaram a PF a identificar sete membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Rotta e o perito Ronaldo Carneiro, do laboratório de genética forense do Instituto Nacional de Criminalística (INC), apresentaram na quarta-feira, 23, um painel sobre o caso no V Congresso Nacional de Peritos Criminais Federais, realizado em Foz do Iguaçu (PR).

Integração. O trabalho foi possível por causa do trabalho conjunto entre os peritos de Foz do Iguaçu, responsáveis por fazer a perícia dos locais por onde os criminosos passaram, e o profissionais do laboratório de genética forense do INC.

Enquanto os peritos do Paraná selecionaram os vestígios e analisaram toda as cenas do crime, incluindo os locais de fuga e confronto com as autoridades, os instalados no INC analisaram o material e por meio do sequenciamento genético puderam cruzar com as referências coletadas de suspeitos presos.

“Por onde os assaltantes passaram foram deixando rastros de vestígios a serem analisados pela perícia”, explica Rotta. No total, foram coletados 457 vestígios espalhados no QG, automóveis e outros locais utilizados pelos criminosos para efetuar o roubo ou na rota de fuga.

Nesse material, foram encontrados 34 perfis genéticos que foram comparados com os DNAs coletados 29 suspeitos.Desses, a PF identificou sete presos e dois criminosos mortos em confronto durante a fuga.