Máfia do ISS não atuou sem apoio político, diz promotor

Máfia do ISS não atuou sem apoio político, diz promotor

Roberto Bodini, do Ministério Público Estadual de São Paulo, comentou a condenação de Ronílson Bezerra Rodrigues, ex-subsecretário de Finanças apontado como líder da quadrilha de agentes públicos

Luiz Fernando Toledo

06 Junho 2018 | 06h30

ROBERTO BODINI . FOTO: JOSE PATRICIO/ESTADAO

O promotor de justiça do Ministério Público de São Paulo (MPE) Roberto Bodini afirmou ter a ‘crença’ de que o esquema da Máfia do ISS tem por trás alguma forma de aval político que atuou na Prefeitura de São Paulo. Nesta segunda-feira, o ex-subsecretário de Finanças, Ronílson Bezerra Rodrigues, acusado de ser líder da quadrilha de agentes públicos, foi condenado a 60 anos de prisão.

“Observando o funcionamento desse tipo de organização criminosa, a gente entende que é muito pouco provável que um esquema desse tenha funcionado e operado durante tanto tempo sem que houvesse o apoio político. É o que eu posso adiantar”, disse, sobre a investigação que se estendeu entre os anos de 2006 a 2011.

O promotor afirmou que é ‘difícil de demonstrar’ a participação dos agentes políticos, ‘apesar de óbvia’.

Bodini criticou a fala de um dos condenados, Ronilson Rodrigues, que afirmou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que seu acordo de delação premiada não foi aceito por não envolver no escândalo o ex-prefeito Gilberto Kassab, hoje ministro da Ciência e Tecnologia do governo Michel Temer (MDB).

“Não é isso. Nossa investigação não é pessoal. Temos um fato criminoso, uma organização criminosa, que saqueou os cofres municipais durante pelo menos cinco anos. Foram mais de R$ 500 milhões de prejuízos na nossa estimativa – não oficial, mas é uma estimativa”, afirmou.

“Impossível que esse grupo tenha operado e agido durante todo esse tempo sem que tivesse o apoio político para que isso funcionasse Não vou ser leviano de apontar nomes, de dizer efetivamente quem é que dava o apoio. Mas a nossa crença…não dou o trabalho por encerrado. A gente vai continuar justamente tentando descobrir todas as facetas que deram apoio a esse grupo”, afirmou Bodini.

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