Maduro exorta Bolsonaro a retomar ‘caminho das relações diplomáticas’

Maduro exorta Bolsonaro a retomar ‘caminho das relações diplomáticas’

Em comunicado oficial, neste domingo, 28, mandatário venezuelano parabeniza presidente eleito que, durante a campanha, em comício no Acre, prometeu 'fuzilar a petralhada e mandá-los para a Venezuela'

Clara Rellstab e Renato Vasconcelos, especiais para o Estado

28 de outubro de 2018 | 22h38

Nicolás Maduro e Jair Bolsonaro. FOTOS: Carlos Garcia Rawlins/REUTERS e Fabio Motta/ESTADÃO

O presidente venezuelano Nicolás Maduro emitiu comunicado oficial neste domingo, 28, em que exorta Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, a retomar o ‘caminho das relações diplomáticas’. “O povo e o governo venezuelano, no marco da diplomacia bolivariana de paz, ratificam seu compromisso de continuar trabalhando de mãos dadas com o irmão povo brasileiro, na luta por um mundo mais justo, multicêntrico e pluri popular, em que prevaleça a livre autodeterminação dos povos e a não ingerência em assuntos internos.”

Durante a campanha à Presidência, Bolsonaro manteve um posicionamento de repulsa à Venezuela. Em uma das declarações mais polêmicas, durante comício no Acre, o então candidato declarou que iria “fuzilar a petralhada’ e mandá-los para o país de Maduro.

“Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela, vão ter que comer capim mesmo”, declarou Bolsonaro.

No comunicado, Maduro parabeniza Bolsonaro pela vitória nas urnas. “O Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, em nome do governo e do povo venezuelano, estende suas sinceras felicitações ao povo da República Federativa do Brasil, com motivo da celebração cívica do segundo turno das eleições realizadas no domingo, 28 de outubro de 2018, na qual resultou eleito o candidato Jair Bolsonaro, como presidente deste país sul-americano”, diz a primeira parte do documento.

Maduro cobrou do futuro presidente brasileiro a retomada do ‘caminho das relações diplomáticas’ com países vizinhos, pelo ‘progresso e integração regional’. Em abril deste ano, o Brasil, junto de Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru, suspendeu por tempo indeterminado a participação nas reuniões da União das Nações Sul-americanas (Unasul).

“O governo bolivariano aproveita a ocasião para exortar ao novo presidente eleito do Brasil a retomar, como países vizinhos, o caminho das relações diplomáticas de respeito, harmonia, progresso e integração regional, pelo bem-estar de nossos povos”, diz a nota.

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