Machado revelou ‘medo’ de delação da Queiroz Galvão

Machado revelou ‘medo’ de delação da Queiroz Galvão

Ex-presidente da Transpetro contou aos investigadores que temia uma eventual colaboração da empreiteira, o que não ocorreu

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

16 de junho de 2016 | 05h00

Sérgio Machado. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Sérgio Machado. Foto: Marcos de Paula/Estadão

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado revelou, em seu termo de delação 10 intitulado ‘Obstrução e Acordão’, o medo e a preocupação com possível ‘delação’ da empreiteira Queiroz Galvão. Machado, que foi próximo aos barões do PMDB, é um dos delatores da Operação Lava Jato.

Empreiteiras não fazem delação premiada, mas, sim, acordos de leniência. O delator poderia estar se referindo aos executivos da empreiteira quando disse do seu temor de uma eventual delação da empreiteira. A Queiroz Galvão não fechou leniência e seus dirigentes não fizeram delação premiada na Lava Jato.

Documento

Machado, que liderou a Transpetro entre 2003 e 2014, foi alvo de busca e apreensão em 15 de dezembro de 2015, na Lava Jato. No depoimento à Procuradoria-Geral da República, o delator contou que após a operação naquela oportunidade conversou com o filho Expedito Machado – também delator na Lava Jato – sobre ‘gravar conversas com políticos’ e ‘se defender de outras versões dos fatos que pudessem surgir’.

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O delator contou que depois da busca procurou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP) e ‘marcou, por telefone, conversas presenciais’. As primeiras conversas, segundo o ex-presidente da Transpetro, com Renan e Sarney ocorreram nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2016.

“Foram conversas separadas, mas de teor bastante semelhante; que nessas oportunidades relatou o que havia ocorrido em sua residência e sobre o que embasou a cautelar de busca e apreensão; que conversaram ainda sobre o receio do depoente de novas delações e o risco que isso representava para todos, porque empresas que poderiam vir a fazer delação tinham mantido relações com o depoente e feito doações de vantagens ilícitas, inclusive oficiais, para todos com recursos oriundos dos contratos da Transpetro”, disse o delator.

Machado seguiu sua narrativa. “Registrou que isso representaria um enorme risco para todos, sobretudo com relação às empresas Queiroz Galvão, que ainda não havia feito delação, e Camargo Corrêa, cujo prazo do acordo de leniência ainda estaria em aberto; que apesar de o depoente tratar diretamente com os donos de tais empresas ainda assim haveria risco em caso de delação.”

Para o ex-presidente da Transpetro, o risco de algum investigado fazer um acordo de delação havia sido ‘incrementado’ pela alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde fevereiro deste ano, a Corte máxima passou a permitir a execução provisória da pena após condenação em segunda instância.]

O ex-dirigente da subsidiária relatou à Procuradoria que conversou com Sarney na casa do ex-senador em Brasília na manhã de 23 de fevereiro. “No caso do senador Renan Calheiros o depoente se reuniu no dia 24 de fevereiro de 2016 com ele e seus advogados, na residência oficial, durante o dia para discutir em que pé se encontrava o inquérito que os envolvia e que resultara na busca e apreensão no fim de 2015.”

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

A Queiroz Galvão informa que não comenta investigações em andamento. A Queiroz Galvão informa ainda que as doações eleitorais obedecem a legislação.

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