Machado revela caixa 2 de R$ 1 mi para Aécio disputar presidência da Câmara e propinas para PSDB em 1998 e 2000

Machado revela caixa 2 de R$ 1 mi para Aécio disputar presidência da Câmara e propinas para PSDB em 1998 e 2000

Ex-presidente da Transpetro, que era líder do PSDB no Senado na época, diz que planejou com o hoje presidente tucano um esquema para financiar 50 deputados por meio de pagamentos ilícitos de empreiteiras e de um esquema de caixa dois que teria sido montado pelo então coordenador da campanha de FHC Luiz Carlos Mendonça de Barros

Mateus Coutinho, Julia Affonso, Fausto Macedo, Isadora Peron e Gustavo Aguiar

15 de junho de 2016 | 15h41

Aécio Neves. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Aécio Neves. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Em sua delação premiada, o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado revelou a existência de um grande esquema de corrupção quando ele ainda era líder do PSDB no Senado, em 1998, para eleger o hoje presidente da sigla Aécio Neves à presidência da Câmara em 2000 e estruturar uma ampla base de apoio para o governo Fernando Henrique Cardoso no Congresso. O próprio Aécio, de acordo com Machado, teria recebido na época R$ 1 milhão em dinheiro vivo.

Segundo o delator, ele, o então senador Teotônio Vilela e o então deputado Aécio traçaram um plano em 1998 para “ajudar financeiramente” 50 deputados a se elegerem naquele ano para garantir o apoio à eleição de Aécio para a presidência da Câmara, em 2000.  O dinheiro teria sido captado por meio de propinas de empresas e de recursos ilícitos da campanha de Fernando Henrique Cardoso à reeleição

“Que decidiram (os três no encontro) que iriam dar entre R$ lOO mil reais e R$ 300 mil reais à cada candidato”, relata Machado, que diz ter recebido propinas de empresas doadoras de campanhas tucanas, e também ter procurado o então ministro das Comunicações e coordenador da campanha de FHC Luis Carlos Mendonça de Barros para captar recursos ilícitos.

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“Que eles (campanha de FHC) nos garantiram que parte desses recursos ilicitos, à época cerca de R$4 milhões de reais, viriam da campanha nacional através do então ministro das Comunicações Luis Carlos Mendonça de Barros”, afirma Machado, segundo o qual parte do dinheiro ilícito vinha “do exterior”, sem dar mais detalhes de como era operacionalizado e qual a origem dele.

“Que esses recursos ilicitos nos foram entregues em várias parcelas em espécie, por pessoas indicadas por ele (Luis Carlos Mendonça de Barros). que a maior parcela dos cerca de R$7 milhões arrecadados à época, foi destinada ao então deputado federal Aécio Neves, que recebeu R$1 milhão em dinheiro”.

Machado diz que o tucano recebia estes recursos de um amigo de Brasília “que o ajudava nessa logística” e afirmou apenas que a pessoa era um jovem moreno que “andava sempre com roupas casuais e uma mochila”.

Além do esquema montado por Mendonça Barros, Machado citou também o caixa dois da Camargo Corrêa para campanhas tucanas no período e admitiu que chegou a receber na época R$ 350 mil em dinheiro vivo da empreiteira. Todo o esforço do esquema ilícito, que também teria financiado as campanhas municipais do PSDB em 2000, segundo o delator, permitiu ao PSDB eleger a segunda maior bancada da Câmara.

“Que a partir dessa articulação e captações feitas em 1998 e 2000 na eleição para prefeito, o PSDB conseguiu eleger 99 deputados”, segue Machado. Segundo ele, porém, o então presidente Fernando Henrique Cardoso era contra a articulação para que Aécio se elegesse presidente da Câmara, pois temia na época um racha de sua base.

Apesar disso, Aécio acabou sendo eleito presidente da Casa.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE AÉCIO NEVES:

“Sobre citações feitas em delação de Sérgio Machado.

São acusações falsas e covardes de quem, no afã de apagar seus crimes e conquistar os benefícios de uma delação premiada, não hesita em mentir e caluniar. Qualquer pessoa que acompanha a cena política brasileira sabe que, em 1998, sequer se cogitava a minha candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, o que só ocorreu muito depois. Essa eleição foi amplamente acompanhada pela imprensa e se deu exclusivamente a partir de um entendimento político no qual o PSDB apoiaria o candidato do PMDB à presidência do Senado e o PMDB apoiaria o candidato do PSDB à presidência da Câmara dos Deputados. A afirmação feita não possui sequer sustentação nos fatos políticos ocorridos à época.”

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE FHC:

“O Presidente Fernando Henrique desconhece os assuntos mencionados na delacao de Sergio Machado”.

COM A PALAVRA, A CAMARGO CORRÊA:

“A Construtora Camargo Corrêa colabora com a justiça por meio de um acordo de leniência”.

COM A PALAVRA, LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS:

“Eu não trabalhei na campanha de reeleição do Fernando Henrique – muito menos na sua coordenação –  pois estava concentrado na execução da privatização da Telebras; por isto não  faz o menor sentido as observações do delator”.

COM A PALAVRA, TEOTÔNIO VILELA FILHO:

“O ex-senador e ex-governador Teotonio Vilela Filho repudia veementemente as declarações do senhor Sérgio Machado sobre o PSDB e afirma o seu interesse pelo pleno esclarecimento dos fatos, confiante na ética, na transparência e no compromisso público que sempre pautaram a sua vida política.”

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