‘Lula tinha outro tipo de moral’, diz Palocci

Ex-ministro dos governos petistas afirma, em delação premiada, que enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff adotava 'um governo relativamente rígido e autorizava liberalidades para os momentos de financiamento eleitoral', seu antecessor 'não tinha o menor constrangimento com o financiamento ilícito e contribuições empresariais vinculadas ou não a projetos'

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

19 de janeiro de 2019 | 14h23

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente do Brasil Foto: André Dusek / Estadão

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil dos governos petistas Antonio Palocci Filho comparou em delação premiada as ‘liberalidades’ da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com supostos repasses ilícitos.

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Em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 30 de agosto de 2018, o delator relatou uma ‘ruptura’ entre os petistas que teria se iniciado com a nomeação de Graça Foster à Petrobrás. Segundo Palocci, ao nomear Graça, sucessora de José Sérgio Gabrielli, ‘íntimo de Lula’, Dilma contrariou o ex-presidente, em 2012. No entanto, Lula ainda teria demonstrado que ‘mandava’ na Petrobrás para a então recém-indicada presidente da estatal.

De acordo com Palocci, ‘para Dilma, a nomeação de Graça significava a afirmação de seu novo governo e a preparação para o processo da reeleição presidencial’.

Segundo o ex-ministro, ‘esse ato também se revestia de um lado ilícito, uma vez que representava meios de Dilma inviabilizar o financiamento dos projetos de Lula retornar à Presidência, ao passo que viabilizaria recursos para sua reeleição, deslocando as doações para o PT, onde contava com a lealdade pessoal de Rui Falcão, então presidente da sigla’.

O ex-ministro disse que, ‘durante o crescimento da Operação Lava Jato, Dilma deu corda para o aprofundamento das investigações, uma vez que isso ‘sufocaria e implicaria Lula’ e ‘que, por sua vez, Lula, em movimento reverso, relembrava que Dilma era a presidente do Conselho de Administração da estatal na época de grande parte dos fatos apurados, lembranças estas que fazia em diversas reuniões no Instituto na presença de dezenas de pessoas’.

Palocci fez uma comparação entre as supostas ilegalidades autorizadas pelos ex-presidentes petistas. Ele afirmou ‘que Dilma adotava um governo relativamente rígido e autorizava liberalidades para os momentos de financiamento eleitoral’  e ‘que foi a própria Dilma quem disse: nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição’.

De acordo com o delator, ‘em outras palavras, Dilma permitia que fossem feitas arrecadações ilícitas durante os períodos eleitorais, já Lula tinha outro tipo de moral’. “Para ele, o financiamento ilícito e contribuições empresariais vinculadas ou não a projetos não lhe causavam o menor constrangimento.”

Palocci relatou que ‘a única preocupação de Lula era preservar sua própria imagem, afastando-se deliberadamente dos momentos de ilicitudes e sistematicamente construindo versões que o isentavam de qualquer malfeito’.

Palocci disse ainda que chegou a questionar Lula sobre o triplex 164-A, no condomínio Solaris, imóvel pivô de sua condenação a 12 anos e um mês na Operação Lava Jato: ‘Por que você não pega o dinheiro de uma palestra e paga o seu triplex?’

“Respondeu ele: ‘Um apartamento na praia não cabe em minha biografia”, afirmou o delator.

“Lula, inclusive, sabia que, ao manter distância das operações financeiras ilícitas, teria que suportar eventuais desvios, aproveitamentos pessoais e até enriquecimento de colaboradores próximos e pessoas de sua confiança que atuavam na área de arrecadação ilegal e que Lula sabia que esse era o preço necessário e razoável a se pagar.”

O ex-ministro disse que, ‘para Lula, ao manter distância e fechar os olhos para ilicitudes, tapava também os olhos da Justiça para seus próprios bens’.

COM A PALAVRA, DILMA ROUSSEFF

A propósito das supostas novas declarações do senhor Antônio Palocci, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff registra:

Mais uma vez, o senhor Antônio Palocci mente em delação premiada, tentando criar uma cortina de fumaça porque não tem provas que comprometam a idoneidade e a honra da presidenta Dilma.

É fantasiosa a versão de que ela teria “dado corda” para a Lava Jato “implicar” Lula. Isso não passa de uma tentativa vazia de intrigá-la com o presidente Lula.

Na verdade, a delação implorada de Palocci se constitui num dos momentos mais vexaminosos da política brasileira, porque revela o seu verdadeiro caráter.

Assessoria de Imprensa
Dilma Rousseff

COM A PALAVRA, LULA

SOBRE HISTÓRIAS DE PALOCCI E MOTORISTAS PLANTADAS HOJE CONTRA LULA

A Lava Jato tem quase 200 delatores beneficiados por reduções de pena. Para todos perguntaram do ex-presidente Lula. Nenhum apresentou prova nenhuma contra o ex-presidente ou disse ter entregue dinheiro para ele. Antônio Palocci, preso, tentou fechar um acordo com o Ministério Público inventando histórias sobre Lula. Até o Ministério Público da Lava Jato rejeitou o acordo por falta de provas e chamou de “fim da picada”.

Mas o TRF-4 decidiu validar as falas sem provas de Palocci, que saiu da prisão e foi para a casa, com boa parte de seu patrimônio mantido em troca de mentiras sem provas contra o ex-presidente. O que sobra são historinhas para gerar manchetes caluniosas.

Todos os sigilos fiscais de Lula e sua família foram quebrados sem terem sido encontrados valores irregulares.
Há outros motoristas e outros sigilos que deveriam ser analisados pelo Ministério Público, que após anos, segue sem conseguir prova nenhuma contra Lula, condenado por “atos indeterminados”. Curiosa a divulgação dessa delação sem provas justo hoje quando outro motorista ocupa o noticiário.
Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

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