Lula tem 5 contas a acertar com a Justiça Federal

Lula tem 5 contas a acertar com a Justiça Federal

Processo do triplex do Guarujá pago pela OAS, em que foi interrogado na quarta, 10, pelo juiz Sérgio Moro, é apenas uma das ações penais que têm o ex-presidente como réu; ele é acusado por propinas da Odebrecht, tráfico de influência, favorecimento ao filho e obstrução de investigação

Fausto Macedo, Fernanda Yoneya, Julia Affonso e Ricardo Brandt

13 de maio de 2017 | 14h00

    Lula. Foto: Eraldo Peres/AP

O processo do triplex do Guarujá (SP) é apenas uma das contas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a acertar com a Justiça. O herói do povo brasileiro responde a 5 ações penais como réu da Justiça Federal por supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e obstrução judicial. Desses, 4 são relacionados com a Operação Lava Jato.

Na quarta-feira, 10 de maio de 2017, Lula – o líder máximo do PT – foi interrogado pela primeira vez pelo juiz federal Sérgio Fernando Moro, titular da 13ª Vara Federal, em Curitiba – origem da Lava Jato.

Réu por suposto recebimento de R$ 3,7 milhões em propinas da construtora OAS, Lula é acusado nessa ação penal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena prevista, caso seja condenado, pode chegar a 22 anos de prisão.

Foram quase 5 horas de interrogatório, a maior parte, tomada por perguntas feitas por Moro.

Lula negou ser dono do triplex, cobrou provas como o registro formal de propriedade da cobertura do Edifício Solarias, na praia das Astúrias, confessou ter buscado réus da Lava Jato para questionar sobre provas de corrupção e disse não ter responsabilidade alguma sobre os ilícitos revelados no escândalo Petrobrás.

O petista já foi interrogado como réu em dois desses processos: o primeiro a ser aberto, na Justiça Federal do Distrito Federal, em que foi acusado após a Lava Jato prender o ex-senador Delcídio Amaral, que tentava comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-Petrobrás, e na ação do triplex, por Moro.

Lula ainda tem que responder na Lava Jato pelos supostos crimes que teria praticado ao receber R$ 12 milhões em propinas da Odebrecht na compra de um terreno para o Instituto Lula e de um apartamento, onde mora. Tem ainda que responder por crimes em negócios em Angola, que teria beneficiado familiares, numa ação decorrente da Lava Jato, da Operação Janus. Ele ainda é acusado por favorecer empresas na compra de caças pela Força Aérea Brasileira, também com propinas supostamente pagas ao filho.

AS CONTAS DE LULA COM A JUSTIÇA FEDERAL 

1º Processo contra Lula – A primeira vez que Lula sentou no banco dos réus foi em julho de 2016, quando foi aberta pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, na 10ª Vara Federal, no Distrito Federal, a ação penal em que o ex-presidente é acusado pelo crime de obstrução à Justiça. O petista, o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS), o dono do banco BTG Pactual, André Esteves, e outras quatro pessoas são acusados por tentarem comprar o silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró. A ação é da Lava Jato.

Edifício Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS

2º Processo contra Lula – A segunda ação penal foi aberta setembro de 2016, pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba. No processo, o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões, de um total de R$ 87 milhões, pagos pela OAS no triplex do Guarujá (SP) e no custeio do armazenamento de bens pessoais que ganhou durante seu período como presidente (2003 a 2010). São réus ainda Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e outras quatro pessoas da empreiteira. A ação da é da Lava Jato.

Taiguara Rodrigues dos Santos. Foto: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

3º Processo contra Lula – Em outubro de 2016, Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, no Distrito Federal, abriu processo contra o ex-presidente decorrente das investigações da Operação Janus. O petista é acusado de tráfico de influência, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele teria usado sua influência no governo e no BNDES para beneficiar a empreiteira Odebrecht em contratos de obras em Angola. A propina seria de R$ 30 milhões pagas em palestras do ex-presidente e por contrato falso feito com o sobrinho da primeira mulher do petista Taiguara Rodrigues dos Santos. Ação da Operação Janus, desdobramento da Lava Jato.

 

Luís Cláudio. Foto: Paulo Pinto/Estadão

4º Processo contra Lula – Em dezembro de 2016, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, no Distrito Federal, abriu processo contra o ex-presidente por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O processo decorre da Operação Zelotes. O petista teria beneficiado o filho Luís Cláudio Lula da Silva, que recebeu R$ 2,5 milhões via dois lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, da empresa Marcondes & Mautoni, que eram representantes de montadoras. Lula teria usado sua influência na compra de 36 caças suecos Gripen NG, pela Força Aérea Brasileira (FAB), e na edição de uma medida provisória que deu incentivos fiscais ao setor automotivo. Ação da Operação Zelotes.

5º Processo contra Lula – Em dezembro de 2016, o juiz federal Sérgio Moro abriu nova ação penal contra o ex-presidente (segunda da Lava Jato, em Curitiba) por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de favorecer a Odebrecht, em troca de propina de R$ 12 milhões, pagas na compra de um terreno que seria a sede do Instituto Lula e de um apartamento no edifício onde ele mora, em São Bernardo do Campo (SP). Ação da Lava Jato.

 

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