Lula reclama a Moro sobre divulgação de conversas com Marisa

Lula reclama a Moro sobre divulgação de conversas com Marisa

Juiz ouviu críticas enquanto petista reclamava de "caçada" da imprensa; Moro afirmou que também é alvo de ataques na internet

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Luiz Vassallo e Bruno Ribeiro

10 de maio de 2017 | 23h26

Lula. Foto: Reprodução

O ex-presidente Lula aproveitou suas considerações finais no interrogatório feito pelo juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira, 10, em Curitiba, para fazer um discurso em que descreveu como “vítima da maior caçada jurídica que um presidente ou um político brasileiro já teve”. O juiz teve de intervir mais de uma vez para lembrar Lula que ele deveria manter o foco nas acusações de que é alvo. Lula fez ataque ao juiz, citando a divulgação de escutas telefônicas de conversas de Lula com sua mulher, Marisa Letícia, já morta. 

Lula listava uma série de reportagens que classificava como negativas ao fazer suas considerações finais até ser repreendido pelo juiz: Moro pediu para Lula se fixar nos fatos do processo e afirmou que ele seria julgado com base nas leis e nas provas, não com base de noticias de jornal. O ex-presidente, então, começou a construir uma linha de raciocínio que buscava relacionar as ações do juiz com essas reportagens.

“O senhor, sem querer, talvez, entrou nesse processo. O vazamento de conversas com a minha mulher de dela com meus filhos foi o senhor que autorizou”, disse Lula.

Na sequência, o ex-presidente citou o episódio em que foi alvo de uma condução coercitiva, feita pela Polícia Federal em dezembro de 2015. “Eu não tinha o direito de ter minha casa molestada sem que eu fosse intimado para uma audiência, doutor. Ninguém nunca me convidou. De repente vejo um pelotão da polícia federal. Quando eu saí, levantaram até o colchão da minha casa achando que eu tinha dinheiro, doutor.”

Em seguida, o ex-presidente deu, segundo suas palavras, um “aviso” a Moro: “Deixa eu lhe falar. Eu espero que essa nação nunca abdique de acreditar na Justiça. Agora, quero lhe avisar de uma coisa: Se esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu possa ser absolvido, prepare-se.”

Moro deixou Lula terminar seu raciocínio sem repreendê-lo, mesmo com os pedidos para se ater ao processo. Ao final, afirmou a Lula que, “infelizmente”, ele também era alvo de ataques. “Senhor presidente, infelizmente eu já sou atacado por bastante gente, inclusive por blogs que supostamente patrocinam o senhor. Então, padeço dos mesmos males, em certa medida.”

O interrogatório terminou logo em seguida.

 

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